Petróleo dispara e bolsas recuam com bloqueio no Estreito de Ormuz

O canal é uma das rotas mais importantes para o transporte marítimo da commodity no mundo

Diana Ribeiro, da CNN Brasil
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O petróleo disparou nesta quinta-feira (5), em um novo rali no preço da commodity, ao mesmo tempo que parte das bolsas globais encerrou o dia em queda. A alta do petróleo reflete a preocupação dos investidores com o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte da commodity no mundo - a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que o canal está fechado apenas para navios dos Estados Unidos, de Israel, da Europa e de outros aliados ocidentais.

O estreito está, na prática, fechado desde que os Estados Unidos e Israel lançaram uma operação conjunta contra o Irã no sábado, o que fez os preços do petróleo dispararem e ameaça desestabilizar a economia global.

guerra entre os Estados Unidos e o Irã se intensificou na quarta-feira, depois que um ataque norte-americano atingiu um navio de guerra iraniano ao largo do Sri Lanka, aprofundando uma crise que paralisou o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz pelo quinto dia consecutivo e interrompeu o fluxo vital de petróleo e gás do Oriente Médio.

Petróleo

O petróleo disparou nesta quinta-feira, prolongando um rali nos preços da commodity, uma vez que a escalada da guerra entre os EUA e Israel com o Irã interrompeu o abastecimento e o transporte, levando alguns dos principais produtores a reduzir a produção e outros a tomar medidas para garantir a segurança do abastecimento.

O Brent para maio subiu 4,93%, a US$ 85,41 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).

Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate) dos EUA subiu 8,51%, para US$ 81,01 por barril, o maior nível desde 2024.

Os mercados de petróleo estão se tornando mais restritos, com o governo chinês instruindo as maiores refinarias de petróleo a suspender as exportações de diesel e gasolina, disse o analista da PVM, John Evans à Reuters.

Mercado acionário

A bolsa brasileira e os principais índices dos Estados Unidos e da Europa reagem de forma negativa ao cenário da guerra no Oriente Médio. Por outro lado, o mercado asiático encerrou o pregão em alta.

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em forte queda, após um pregão positivo na véspera, com os investidores monitorando os desdobramentos da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã e à espera do balanços da Petrobras, que divulga seus resultados após o fechamento.

Ibovespa fechou em forte queda de 2,64%, aos 180.463,84 pontos.

Os principais índices de Wall Street também encerraram em baixa, com o conflito no Oriente Médio entrando em seu sexto dia e aumentando as preocupações com novas pressões inflacionárias que podem complicar as decisões de política monetária do Federal Reserve.

O S&P 500 perdeu 0,57%, para 6.830,13 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq recuou 0,25%, para 22.749,31 pontos. O Dow Jones caiu 1,62%, para 47.948,78 pontos.

As bolsas europeias fecharam em queda, os mercados ficaram voláteis ao longo do dia após uma recuperação recente, enquanto a perspectiva de impactos econômicos mais amplos pesaram sobre o apetite por risco na região.

Em Londres, o FTSE 100 fechou em queda de 1,45%, a 10.413,94 pontos. Em Frankfurt, o DAX caiu 1,78%, a 23.774,09 pontos. Em Paris, o CAC 40 perdeu 1,49%, a 8.045,80 pontos. Em Milão, o FTSE MIB recuou 1,61%, a 44.608,55 pontos. Em Madri, o Ibex 35 caiu 1,43%, a 17.237,00 pontos. Em Lisboa, exceção no dia, o PSI 20 avançou 0,01%, a 8.932,42 pontos.

As bolsas asiáticas, por sua vez, fecharam no positivo, com a de Seul garantindo o melhor pregão em quase duas décadas após a queda recorde de ontem, à medida que a busca por barganhas prevaleceu depois do pânico que tomou conta dos mercados.

O índice sul-coreano Kospi saltou 9,63% em Seul, a 5.583,90 pontos, no maior ganho em um único dia desde outubro de 2008. A recuperação veio após um tombo de 12% na sessão anterior, o maior já registrado.

Em outras partes da Ásia, o japonês Nikkei avançou 1,90% em Tóquio, a 55.278,06 pontos, o Hang Seng subiu 0,28% em Hong Kong, a 25.321,34 pontos, e o Taiex mostrou alta mais expressiva em Taiwan, de 2,57%, a 33.672,94 pontos.

Dólar

Depois de ter encerrado a sessão da véspera em baixa, o dólar fechou a quinta-feira em alta firme no Brasil, superior a 1%, acompanhando o avanço da moeda no exterior, com investidores voltando a buscar a segurança da divisa norte-americana em meio à guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã.

O dólar à vista fechou com alta de 1,33%, aos R$ 5,2879. No ano, a divisa acumula agora queda de 3,66%.

Ouro

O ouro encerrou o dia em queda à medida que o dólar americano ganha força em meio às preocupações econômicas para os Estados Unidos com a guerra no Irã. Os investidores também aguardam os dados de emprego (payroll) na sexta-feira, 6, para avaliarem os rumos da economia.

Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para abril encerrou em queda de 1,09%, a US$ 5.078,7 por onça-troy.

Já a prata para maio teve queda de 1,20%, a US$ 82,18 por onça-troy.

O ouro chegou a abrir em alta, mas inverteu de rumo no final da manhã à medida que o dólar e os juros dos Treasuries nos EUA se fortaleceram no pregão.

*Com informações da Reuters e da Agência Estado

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