Brasil é menos vulnerável às tarifas por ter economia fechada, diz Volpon
Especialista avalia que cenário econômico do Brasil reduz vulnerabilidade a choques comerciais, mas alerta para possíveis efeitos no câmbio e inflação
Donald Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, gerando preocupações sobre o impacto na economia nacional. A medida, que entrará em vigor em 1º de agosto de 2025, foi comunicada em carta ao presidente Luiz Inácia Lula da Silva, mencionando também Jair Bolsonaro e o STF.
Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central e colunista do CNN Money, avaliou em entrevista que o impacto econômico pode ser limitado devido à natureza fechada da economia brasileira.
"A verdade é que nosso grande parceiro comercial é a China, não os Estados Unidos", afirma Volpon, destacando que o Brasil importa mais dos EUA do que exporta.
O especialista ressalta que, apesar de Trump alegar um déficit comercial com o Brasil, isso não é verdade. Volpon explica: "A economia brasileira é uma economia grande e fechada. Infelizmente, se fosse uma economia muito mais aberta, eu acho que teríamos uma taxa de crescimento da economia muito maior do que temos".
Possíveis impactos e estratégias
Embora a medida possa afetar o câmbio e a inflação, Volpon não prevê grandes impactos na dinâmica econômica brasileira. Ele sugere que o Brasil pode buscar novos mercados para compensar a possível redução nas exportações para os EUA.
"É bem possível que naturalmente outros países importem mais do Brasil em função dessa sobra de exportações, que não vai encontrar um mercado rentável nos Estados Unidos", analisa Volpon. Ele também menciona que uma possível desvalorização do real pode compensar parte do efeito das tarifas.
O especialista recomenda que o Brasil evite entrar em embates políticos e busque negociações técnicas com os EUA. "A gente vai ter que ter a capacidade de deixar a questão política de lado", aconselha Volpon, sugerindo que o país utilize sua tradição diplomática para tentar reduzir as tarifas.
Volpon conclui alertando sobre a importância de evitar retaliações que possam escalar o conflito comercial: "Temos que evitar a tentação de partir para um bate-boca, porque até é possível que as tarifas subam ainda mais".


