Brasil é realista na descarbonização, diz VP sênior da Siemens Energy
Diversidade de fontes de energia e posição geopolítica neutra colocam o país em destaque nas discussões sobre descarbonização durante a COP30
O Brasil emerge como protagonista nas discussões sobre descarbonização global, graças à sua diversidade de fontes energéticas e posição geopolítica estratégica.
A análise foi apresentada por André Clark, vice-presidente sênior da Siemens Energy , em entrevista ao CNN Money durante a COP30, em Belém, destacando o papel fundamental do país na transição energética mundial.
Clark ressaltou que a abordagem brasileira para a descarbonização é marcada pelo pragmatismo. O país demonstra isso através de iniciativas como o próximo leilão de capacidade energética, onde o gás natural será utilizado como complemento para viabilizar as energias renováveis.
O executivo também abordou a questão da exploração na margem equatorial brasileira, afirmando que isso não compromete os objetivos de descarbonização do país.
"Quando o Brasil coloca essa questão da margem equatorial, ele está sendo realista", explica Clark, destacando que parte dos recursos será direcionada para a economia verde.
Além disso, o Brasil é um dos poucos países com excesso de energia renovável, estando preparado para utilização em diversos setores como data centers e produção de hidrogênio verde.
Ele pontua que o Brasil possui uma matriz energética diversificada, incluindo fontes renováveis, petróleo e gás natural. "O Brasil tem todas as fontes. Acho que a gente só não tem geotérmica porque não tem vulcão aqui dentro", observa. Esta variedade, segundo ele, coloca o país em posição privilegiada nas negociações internacionais sobre clima.
Desafios do setor elétrico
Um dos principais desafios discutidos é o gerenciamento do sistema elétrico com a crescente entrada de energia solar. Clark apontou que o Brasil está adicionando cerca de dois a três gigawatts mensais de capacidade solar, criando desafios de gestão que requerem investimentos em tecnologias de armazenamento e modernização da rede.
Quanto ao futuro do setor energético, Clark enfatizou a importância de uma transição realista e pragmática. "Não importa muito o caminho, o importante é chegar no amanhã com menos carbono", concluiu, destacando a necessidade de envolvimento de todos os setores da sociedade nessa transformação.


