CNN Brasil Money

Brasil quer explorar “acervo” de COPs para facilitar negociações; entenda

Estratégias da equipe do presidente da conferência da ONU focam na redução das emissões de carbono

Vinícius Murad, da CNN, em São Paulo
COP30: Inscrições abertas para organizações interessadas em pavilhões da Blue Zone em Belém  • Reprodução/Redes Sociais
Compartilhar matéria

A presidência brasileira da COP30 quer usar o legado das conferências climáticas anteriores para destravar pontos sensíveis das negociações em Belém, marcada para novembro deste ano.

A estratégia envolve o chamado Círculo de Presidentes, formado por ex-presidentes de COPs desde 2015 e liderado por Laurent Fabius, ex-ministro das Relações Exteriores da França e responsável por conduzir a COP21, que resultou no Acordo de Paris.

O grupo foi criado com a missão de oferecer soluções práticas para acelerar a implementação do Acordo e fortalecer o multilateralismo em meio a um cenário internacional fragmentado.

A iniciativa faz parte dos Círculos de Liderança, estrutura montada pela presidência brasileira para ampliar a mobilização em torno da COP30 e antecipar entregas antes mesmo do início oficial da conferência.

O presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, já está envolvido em uma série de negociações prévias. A agenda tem sido marcada por reuniões com chanceleres, ministros e lideranças da sociedade civil, com o objetivo de ampliar o número de países que apresentem novas NDCs — as contribuições nacionalmente determinadas que representam os compromissos climáticos de cada governo.

Na quarta carta enviada pela presidência da COP30 à comunidade internacional, Corrêa do Lago reforça que a janela entre junho e setembro será decisiva para receber os documentos atualizados e permitir que a conferência em Belém se concentre na implementação das metas, e não na fase inicial de negociação.

Entre os principais destaques da carta está a proposta brasileira de criar uma “NDC Global”, ou “contribuição globalmente determinada”, que reúna compromissos não apenas de países, mas também de estados, municípios, empresas, instituições financeiras e comunidades. A ideia é consolidar em um mesmo instrumento os esforços de todos os setores, para além dos compromissos formais firmados por governos nacionais.

A iniciativa é vista como uma resposta à baixa adesão de atualizações até aqui. Segundo integrantes da equipe de Corrêa do Lago, muitos países não entregaram suas NDCs dentro do prazo estabelecido pela Convenção do Clima, o que pode comprometer a ambição dos resultados da COP30.

A proposta brasileira busca reverter esse cenário por meio de um esforço diplomático coordenado com organizações internacionais e outras presidências de COP, como a do Azerbaijão, responsável pela COP29.

Os Círculos de Liderança têm papel central nessa articulação. Cada grupo atua de forma independente, sob a liderança de nomes ligados ao governo ou à sociedade civil, mas todos prestam apoio direto à presidência da COP.

Além do Círculo de Presidentes, o modelo inclui iniciativas voltadas para financiamento climático, balanço ético global e participação de povos indígenas e comunidades tradicionais.

A aposta do Brasil é que essa estrutura permita uma COP de ação efetiva e que marque uma transição entre o que foi acordado nos últimos anos e uma nova fase, focada em implementar as medidas concretas.

Até novembro, a presidência brasileira quer consolidar a entrega de novas NDCs, obter apoio político para a proposta da NDC Global e consolidar, não só valores, mas ferramentas estruturadas e funcionais, de financiamento climático.

Acompanhe Economia nas Redes Sociais