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Copom diz ter "maior convicção" em Selic a 15% ao ano para atingir meta

Comitê de Política Monetária reitera em ata ser necessário manter a taxa inalterada "por período bastante prolongado"

Vitória Queiroz, da CNN Brasil, Brasília
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O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central informou nesta terça-feira (11) ter "maior convicção" de que a taxa básica de juros de 15% ao ano é suficiente para assegurar a convergência da inflação em torno da meta, que é de 3%, com intervalo de tolerância de até 4,5%.

"O Comitê dá prosseguimento ao estágio em que opta por manter a taxa inalterada por período bastante prolongado, mas já com maior convicção de que a taxa corrente é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta", diz o colegiado, na ata divulgada na semana posterior à decisão monetária.No último encontro do Copom, o grupo manteve a Selic em 15% ao ano pela terceira vez consecutiva desde que interrompeu o ciclo de aperto monetário, em julho. Com isso, a Selic segue no maior patamar desde 2006.

 

No último encontro do Copom, o grupo manteve a Selic em 15% ao ano pela terceira vez consecutiva desde que interrompeu o ciclo de aperto monetário, em julho. Com isso, a Selic segue no maior patamar desde 2006.

Na ata divulgada nesta terça-feira (11), o Copom reiterou que seguirá “vigilante” e que não hesitará em retomar o ciclo de alta se julgar apropriado. A próxima reunião está agendada para 9 e 10 de dezembro.

De acordo com o colegiado, o cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. No cenário doméstico, o Copom cita a trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, mas ressalta que o mercado de trabalho ainda mostra dinamismo.

O Boletim Focus divulgado na última segunda-feira (10) projeta o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2,16% neste ano e em 1,78% no ano que vem.

“Os dados mais recentes corroboram, em geral, o prosseguimento de uma redução gradual de crescimento, ainda que, em momentos de inflexão no ciclo econômico, seja natural observar sinais mistos advindos de indicadores econômicos ou alguma diferença entre as expectativas e as divulgações”, afirma o documento.

Impacto da isenção do IR

Na reunião passada, o colegiado optou por já incorporar uma estimativa preliminar do impacto da medida de ampliação da isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil. A proposta aprovada pelo Congresso deve entrar em vigor em 2026.

Além disso, o colegiado considerou a hipótese de bandeira tarifária “amarela” em dezembro de 2025 e de 2026.

“O Comitê optou por já incorporar uma estimativa preliminar do impacto da medida de ampliação da isenção do imposto de renda. O Comitê considera que tal estimativa é bastante incerta e acompanhará os dados para calibrar seus impactos”, diz a ata.

Paralisação nos EUA

Em relação ao cenário externo, o Banco Central afirma que o ambiente se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais.

“Sobre as fontes de incerteza mais imediatas, destacam-se as negociações comerciais entre Brasil e EUA e a condução da política monetária norte-americana em ambiente de government shutdown, que aumenta a dificuldade de se avaliar a conjuntura corrente”, afirma o documento.

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