'Debandada': Guedes tenta se blindar e avisa ao governo que teto é inegociável

Apesar de reconhecer a saída em massa da equipe, o ministro ponderou que algumas baixas recentes não têm relação com a realidade do governo

Fernando Nakagawa, da CNN
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Após saídas de Salim Mattar e Paulo Ueber, ambos insatisfeitos com o ritmo de reformas, Guedes deu entrevista defendendo seu trabalho. Para economistas, essa reação enfática mostraria que, para o ministro, o rigor com as contas públicas seria inegociável.

No episódio de hoje:

- A equipe econômica sofreu uma debandada na terça-feira (11), segundo palavras do ministro da Economia, Paulo Guedes;
- Salim Mattar, que era o secretário de Desestatização, e tinha com objetivo privatizar estatais, pediu demissão por descontentamento com o ritmo das privatizações federais;
- Mesmo antes da pandemia, ele já vinha demonstrando insatisfação com a capacidade do governo de vender as empresas;
- Apesar das promessas do ministro Paulo Guedes de que privatizaria até R$ 1 tri em estatais, o fato é que poucas foram efetivamente vendidas no governo Bolsonaro;
- Outro que deixou o governo foi Paulo Uebel, que era secretário de Desburocratização e Gestão;
- Ele pediu demissão por não concordar com o ritmo da promessa da chamada reforma administrativa;
- Pressões dos servidores públicos e da classe política impediram qualquer avanço dessa proposta;
- Apesar de reconhecer a saída em massa da equipe, o ministro ponderou que algumas baixas recentes não têm relação com a realidade do governo;
- O ex-secretário Mansueto Almeida, por exemplo, já queria deixar o governo há um ano, disse Guedes;
- Já o presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, já tem idade avançada e não gostou dos ares de Brasília, continuou o economista;
- Apesar desses poréns, o ministro reconheceu que a estratégia para reagir à debandada é acelerar as reformas e controlar as contas públicas;
- Em entrevista coletiva ao lado de Guedes, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, disse diversas vezes que, para as contas públicas, não é possível dar um jeitinho;
- Ele foi ainda mais enfático ao dizer que furar o teto de gastos públicos não é uma solução;
- Guedes foi na mesma linha e disse que não haverá apoio do ministério aos “fura teto”;
- O ministro lembrou ainda que o governo Dilma Rousseff caiu porque descumpriu regras orçamentárias;
- Para alguns economistas, Guedes pode estar tentando usar o episódio como uma maneira de se blindar;
- Essa marcação de posição é especialmente importante neste momento em que voltam a crescer, em Brasília, pressões para o aumento do gasto público;
- Entre os que mais apoiam essa estratégia, estariam Rogério Marinho (ministro do Desenvolvimento Regional) e uma boa parte da ala militar;
- Guedes e Maia indicaram ontem que são totalmente contra a medida. Para muita gente, esse recado foi para o próprio presidente Jair Bolsonaro; 
- Investidores brasileiros poderão investir livremente e em reais em gigantes estrangeiras, como a Apple, Amazon, Nike e Tesla;
- A partir do próximo mês, caem as restrições para o investimento nos BDRs, que são os recibos de ações estrangeiras e que são negociados, em reais, na B3;
- Estes papéis funcionam assim: um banco ou a própria empresa separa um número de ações dessa empresa, guarda essas ações e emite certificados dessas ações que são negociados na bolsa brasileira; 
- É a operação inversa do ADR, que permite que ações brasileiras, como da Vale e Petrobras, sejam negociadas em Nova York;
- A XP Investimentos anunciou ontem à noite lucro de R$ 565 milhões no segundo trimestre;
- O valor é 148% maior que o registrado em igual período do ano passado;
- A empresa terminou o mês de junho com R$ 436 bilhões em ativos sob custódia, o que dá um salto de 59% na comparação com um antes;
- Outra empresa que anunciou resultados foi a BR Distribuidora;
- Antes estatal e agora está sob controle privado, a empresa teve lucro de R$ 188 milhões no segundo trimestre, queda de 38% na comparação com um ano antes;
- A empresa atribuiu a queda do lucro à redução da venda nos postos de gasolina da empresa, que venderam 38% menos no período marcado pelo isolamento social;
- Google anunciou que vai começar a monitorar atividades sísmicas, os famosos terremotos, com celulares com Android;
- Testes mostraram que esse sensor consegue perceber movimentação sísmica e isso poderia avisar usuários com até um minuto antes do tremor se espalhar;
- Com a informação enviada por vários celulares, a empresa consegue triangular a informação para determinar com precisão o epicentro e estimar a magnitude do tremor;
- Quem estiver nas regiões mais afetadas, vai receber um aviso sonoro alto e avisos visuais de como se proteger rapidamente;
- AGENDA: às 9h, saem dados do varejo de junho. Há expectativa de aumento das vendas de quase 5% na comparação com maio;
- Nos Estados Unidos, o principal dado será da inflação de julho que será conhecido a partir das 9h30.

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