Déficit comercial dos EUA aumenta em julho com alta nas importações
Tarifas de Trump causaram oscilações nas importações e no déficit comercial, distorcendo o quadro econômico geral

O déficit comercial dos Estados Unidos aumentou acentuadamente em julho, uma vez que os influxos recordes de bens de capital e outros produtos impulsionaram as importações, uma tendência que, se for mantida, poderá fazer com que o comércio seja um peso no PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre.
O déficit comercial aumentou 32,5%, chegando a US$ 78,3 bilhões, informou o Departamento de Comércio nesta quinta-feira (4). Economistas consultados pela Reuters previram que o déficit subiria para US$ 75,7 bilhões.
As tarifas do presidente Donald Trump causaram grandes oscilações nas importações e, em última análise, no déficit comercial, distorcendo o quadro econômico geral.
Um tribunal de apelações dos EUA decidiu na última sexta-feira (29) que a maioria das tarifas de Trump, que aumentaram a taxa tarifária média do país para o nível mais alto desde 1934, é ilegal, criando mais incerteza para as empresas.
O comércio subtraiu um recorde de 4,61 pontos percentuais do PIB no primeiro trimestre, antes de reverter drasticamente e acrescentar 4,95 pontos percentuais no trimestre de abril a junho, também a maior contribuição já registrada.
A economia cresceu a uma taxa anualizada de 3,3% no último trimestre, após contrair a um ritmo de 0,5% nos três primeiros meses do ano. Atualmente, o Federal Reserve de Atlanta prevê que o PIB aumentará a uma taxa de 3% neste trimestre.
As importações aumentaram 5,9%, chegando a US$ 358,8 bilhões. As importações de mercadorias cresceram 6,9%, para US$ 283,3 bilhões.
Elas foram impulsionadas por um aumento de US$ 12,5 bilhões nas importações de suprimentos e materiais industriais, o que refletiu um aumento de US$ 9,6 bilhões no ouro não monetário.
As importações de petróleo foram, no entanto, as mais baixas desde abril de 2021.
As importações de bens de capital aumentaram US$ 4,7 bilhões para um recorde de US$ 96,2 bilhões, impulsionadas por computadores, equipamentos de telecomunicações e outras máquinas industriais. Mas as importações de semicondutores caíram US$ 0,8 bilhão.
As importações de bens de consumo aumentaram US$ 1,3 bilhão, mas as importações de preparações farmacêuticas diminuíram US$ 1,1 bilhão.
As importações de veículos motorizados, peças e motores diminuíram US$ 1,4 bilhão, puxadas pela queda nas importações de caminhões, ônibus e carros de passeio.
As exportações aumentaram 0,3%, chegando a US$ 280,5 bilhões. As exportações de mercadorias subiram 0,1%, atingindo US$ 179,4 bilhões.
As exportações de bens de capital aumentaram US$ 0,6 bilhão, atingindo um recorde de US$ 59,9 bilhões, impulsionadas pelos embarques de acessórios de informática e aeronaves civis. As exportações de máquinas de escavação caíram US$ 1,5 bilhão.
As exportações de veículos motorizados, peças e motores aumentaram US$ 0,3 bilhão. As exportações de materiais e suprimentos industriais diminuíram US$ 0,2 bilhão, prejudicadas por uma queda de US$ 2,5 bilhões nos embarques de formas metálicas acabadas.
As exportações não monetárias de ouro aumentaram US$ 2,9 bilhões.
O déficit do comércio de mercadorias aumentou 21,2%, chegando a US$ 103,9 bilhões. O déficit comercial de mercadorias com a China aumentou US$ 5,3 bilhões, chegando a US$ 14,7 bilhões.
O país também teve déficits comerciais de mercadorias com, entre outros, México, Vietnã, União Europeia, Suíça, Índia, Coreia do Sul e Japão.
(Reportagem de Lucia Mutikani)


