Economia dos EUA cresce apesar da guerra, diz Volpon
Analista aponta que investimentos em inteligência artificial impulsionam economia americana e ofuscam impactos do conflito no Oriente Médio
A economia dos Estados Unidos continua apresentando crescimento mesmo diante dos impactos provocados pelo conflito no Oriente Médio. Essa é a avaliação de Tony Volpon, colunista do CNN Money, que aponta os investimentos em inteligência artificial como o principal motor da atividade econômica americana no atual cenário.
Segundo o analista, há um "jogo de cena" nas negociações entre Estados Unidos e Irã, com cada lado direcionando sua comunicação para públicos distintos.
"Os americanos jogam muito para o mercado, tentando diminuir o impacto sobre o mercado dessa guerra que se alastrou por muito mais tempo do que qualquer pessoa esperava", afirmou.
Já os iranianos, de acordo com Volpon, concentram seu discurso na audiência doméstica, sinalizando que não pretendem ceder às exigências americanas.
Apesar do cenário de tensão geopolítica, Volpon descarta a possibilidade de estagflação na economia americana. "A economia está crescendo fortemente", disse.
O colunista destacou que os indicadores mais recentes, incluindo os dados de geração de empregos, mostram uma atividade econômica robusta.
Na avaliação de Volpon, esse desempenho é impulsionado principalmente pelos investimentos ligados à inteligência artificial.
"São bilhões, 800 bilhões de dólares, quase um trilhão de dólares está sendo gasto nesse momento em relação à inteligência artificial, é muito dinheiro", destacou.
Para ele, esse volume expressivo de recursos tem sido suficiente para compensar os efeitos negativos que o conflito poderia exercer sobre a economia.
Por outro lado, a inflação segue elevada e não há perspectiva de queda no curto prazo. "Não temos nenhum horizonte efetivo para essa guerra acabar", ponderou. Diante desse cenário, Volpon acredita que o Fed (Federal Reserve), o banco central americano, deve manter uma postura cautelosa em relação à política monetária.
"Acho que o Fed americano e outros bancos centrais, inclusive o Banco Central brasileiro, vão simplesmente aceitar esses níveis maiores de inflação e meio que esperar para ver", disse. Segundo sua avaliação, a inflação deve se estabilizar em torno de 3%, sem retornar à meta de 2% em um futuro próximo.
Ao analisar o mercado de petróleo, Volpon explicou que os agentes econômicos vêm se adaptando às restrições de oferta provocadas pelo conflito.
Entre os fatores que ajudaram a conter uma alta mais intensa dos preços estão o uso de rotas alternativas ao Estreito de Hormuz, como um oleoduto saudita que atravessa o deserto, além da formação de estoques preventivos por parte da China.
Ainda assim, o analista alertou que o risco de uma disparada mais forte dos preços permanece. Segundo ele, uma redução significativa dos estoques, especialmente nos países asiáticos, pode pressionar novamente as cotações internacionais.
No campo político, Volpon avaliou que os preços elevados da gasolina tendem a gerar desgaste para o presidente Donald Trump e para o Partido Republicano nas eleições americanas de novembro.
No entanto, ele ponderou que o fenômeno conhecido como gerrymandering — prática de redesenho dos distritos eleitorais em nível estadual — pode favorecer os republicanos e limitar eventuais ganhos democratas.
Nesse contexto, o analista demonstrou cautela em relação às projeções eleitorais mais otimistas para a oposição.
"Tenho minhas dúvidas se essa vitória vai ser tão grande e arrasadora como os democratas estão pensando nesse momento", concluiu.


