
Economista: Governo colocou muita projeção de receita incerta no Orçamento
Proposta que será analisada pelo Congresso tem um "buraco" estimado em mais de R$ 60 bilhões, o que faz o governo buscar projetos de última hora para tentar equilibrar as contas
O economista-chefe da Warren Investimentos e ex-secretário da Fazenda do estado de São Paulo, Felipe Salto, apontou problemas significativos na proposta orçamentária do governo federal para 2026. Durante sua participação no WW, Salto afirmou que o Orçamento para 2026 apresenta um déficit expressivo que precisará ser resolvido.
Segundo o economista, o principal problema está na inclusão de receitas incertas no planejamento financeiro. "O governo colocou tanta projeção de receita incerta ali dentro que agora está correndo atrás", detalhou, referindo-se à busca por projetos de última hora para tentar equilibrar as contas públicas.
Salto explica que a proposta que será analisada pelo Congresso Nacional tem um "buraco" estimado em mais de R$ 60 bilhões. "Essa proposta orçamentária que o Congresso vai ter que aprovar a toque de caixa tem um buraco de mais de R$ 60 bilhões pelas nossas contas", relatou
Corte de benefícios tributários
Entre as medidas que o governo tenta implementar para reduzir o déficit orçamentário está o projeto que prevê um corte de 10% nos benefícios tributários. Salto considera essa iniciativa importante, embora limitada. "Esse projeto de 10% de benefícios tributários é importante. Ele deixa uma série de gastos tributários de fora, mas já é alguma coisa", avaliou.
O economista detalhou que o projeto não inclui cortes no Simples, na Zona Franca, e em outros benefícios, restando aproximadamente R$ 120 bilhões em gastos tributários que poderiam ser afetados. "Cortam-se 10% disso, então R$ 12 bilhões, que já é alguma ajuda para o ano que vem, quando você tem um buraco para resolver", conclui.


