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Emirados, Canadá, Índia: Mercosul negocia mais dez acordos além de UE

Diplomacia sul-americana quer, além de assinar Mercosul-UE, concluir negociações de acordos de livre comércio com Emirados Árabes Unidos e Canadá ainda em 2026

Danilo Moliterno, da CNN, Foz do Iguaçu
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante sessão Plenária de Chefes e Chefas de Estado do MERCOSUL, Bolívia, Estados Associados e Convidados Especiais.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva  • Ricardo Stuckert/PR
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Além de tentar viabilizar a assinatura do tratado com a União Europeia, o Mercosul negocia neste momento mais de dez acordos comerciais — com países que vão desde as Américas à Ásia. A diplomacia sul-americana vê o cenário global como propício para avanços e acelera as tratativas.

O mais próximo de vingar é o acordo com a UE, que foi concluído em 2024 após 25 anos de negociação. Havia expectativa de que a assinatura do tratado pudesse acontecer na Cúpula do Mercosul, marcada para esta sábado em Foz do Iguaçu (PR), mas França e Itália conseguiram adiá-la.

O principal impasse é a pressão de agricultores europeus, que protestam contra o acordo e temem que a entrada de produtos sul-americanos no continente vá ferir seus negócios. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, diz que pode convencer o agro e viabilizar a assinatura em janeiro, e o Mercosul aceitou esperar.

Fora este, o mais próximo de ser fechado é o acordo de livre comércio com os Emirados Árabes Unidos. Segundo a diplomacia brasileira, a conclusão das negociações lançadas em 2024 depende de “uma ou duas questões”. O tratado ainda não será anunciado na Cúpula de Foz do Iguaçu, mas a expectativa é de que seja nos próximos meses.

O Mercosul espera ainda em 2026 concluir um acordo de livre comércio com o Canadá. Há uma rodada de negociação marcada para fevereiro em Brasília. As tratativas do bloco com os canadenses foram lançadas em 2018, interrompidas em 2021 e retomadas agora em 2025.

Também está em negociação a ampliação de um ACP (acordo de comércio preferencial) com a Índia, que hoje é considerado pequeno, abarcando 452 ítens. Ainda na Ásia há diálogos em curso junto a Japão, Vietnã e Indonésia.

América do Sul e Central

Na América Central e no Caribe, o Mercosul negocia para intensificar o comércio com Panamá, República Dominicana e El Salvador. O primeiro assinou ACE (acordo de complementação econômica) recentemente, acaba de ingressar no bloco como Estado Associado e sinalizou desejo de trocar mais com os sul-americanos.

Enquanto o Brasil coordena as tratativas junto ao Panamá e Republica Dominicana, a Argentina lidera a terceira frente na América Central. E o alinhamento ideológico entre os presidentes Javier Milei, da Argentina, e Nayib Bukele, de El Salvador, é tido como um trunfo.

Já no continente sul-americano, há conversas com a Colômbia, para a perceiçoamento de um já ACE estabelecido, e com o Equador, a fim de negociar um novo acordo que amplie e aprofunde compromissos comerciais.

Nos últimos anos, o Mercosul acelera suas tratativas. Além de concluir negociações com a UE, fechou em 2025 tratado com o EFTA (Noruega, Islândia, Suíça e Liechtenstein). Nos 20 anos anteriores, o bloco havia celebrado apenas três acordos de livre comércio, com Israel, Egito e Palestina.

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