Empréstimo dos Correios empurra problema, diz ex-secretária da Fazenda
Estatal acumula prejuízo de R$ 6 bilhões até setembro deste ano, após lucro recorde de R$ 4 bilhões entre 2020 e 2021
Os Correios aguardam autorização do Ministério da Fazenda para liberar um empréstimo de R$ 20 bilhões, que será contratado por um conjunto de bancos públicos e privados. A medida surge em um momento crítico para a estatal, que acumula prejuízos bilionários.
De acordo com Martha Seillier, que atuou no PPI (Programa de Parcerias de Investimentos) do Ministério da Fazenda, o empréstimo não resolverá os problemas estruturais da empresa. "Esse empréstimo muito me preocupa, porque você está empurrando para debaixo do tapete um problema que você só vai começar a pagar daqui a dois anos, já possivelmente numa outra gestão", afirma.
Mudança de direção na gestão
A especialista destaca que houve uma reversão significativa nos resultados da empresa. Enquanto os anos de 2020 e 2021 registraram lucros recordes somando R$ 4 bilhões, apenas nos primeiros nove meses de 2025 o prejuízo já alcança R$ 6 bilhões.
Entre as decisões questionadas pela especialista estão o novo concurso público para contratação de 10 mil funcionários, o aumento de gastos operacionais e administrativos, e a elevação de 800% nas despesas com propaganda e publicidade entre 2023 e 2024.
Desafios competitivos
A empresa enfrenta dificuldades para competir com empresas privadas do setor, que investem em automação, robotização e melhorias na qualidade do serviço. Segundo Seillier, as amarras estatais dificultam ganhos rápidos em gestão e inovação.
A deterioração do serviço também se reflete na satisfação dos clientes. No site Reclame Aqui, os Correios são classificados como não recomendáveis, com mais de 60 mil reclamações registradas apenas este ano, das quais apenas metade recebeu resposta, com tempo médio de retorno de 30 dias.


