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Entenda como a dívida da China e dos EUA pode impactar a economia global

Fundo Monetário Internacional projeta a dívida bruta do governo geral de ambos os países em expansão

Da CNN Brasil
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Dados do FMI (Fundo Monetário Internacional) projetam a dívida bruta do governo geral dos Estados Unidos e da China em expansão.

Em seu relatório de outubro, o FMI indica que a relação dívida/PIB do país asiático deve superar 100% no ano que vem e alcançar 116% em 2030. Já em relação à economia norte-americana, projeta-se que a relação da dívida/PIB ultrapasse 140% em cinco anos.

Veja as projeções do FMI:

China

  • 2025: 96,3% do PIB;
  • 2026: 102,3% do PIB;
  • 2027: 106,3% do PIB;
  • 2028: 109,7% do PIB;
  • 2029: 112,9% do PIB;
  • 2030: 116,1% do PIB.

EUA

  • 2025: 125% do PIB;
  • 2026: 128,7% do PIB;
  • 2027: 132,7% do PIB;
  • 2028: 136,6% do PIB;
  • 2029: 140,1% do PIB;
  • 2030: 143,4% do PIB.

Na avaliação de Rafael Prado, economista da GO Associados, a expansão da dívida norte-americana traz maior risco à economia global. O especialista explica que os EUA concentram os ativos considerados portos seguros do mundo.

“Uma crise de desconfiança em relação aos mercados de lá pode pressionar de maneira mais intensa os mercados financeiros globais. A tendência é essa que já estamos vendo. É uma alteração na composição das carteiras globais de ativos”, disse ao CNN Money.

Prado cita o processo de valorização do ouro. Em outubro, o metal ultrapassou a marca de US$ 4.000 a onça pela primeira vez, com os investidores recorrendo à segurança do ativo em busca de proteção contra as incertezas econômicas e geopolíticas globais

“Os investidores ainda detêm grande parte do seu capital alocado em dólar, mas vem diminuindo a sua exposição ao dólar americano. A gente vê muitos bancos centrais aumentando a composição das reservas em ouro”, afirmou Prado.

Em relação à economia chinesa, o economista da GO Associados considera que o crescimento da dívida da China pode afetar negativamente o mercado de commodities e as moedas de economias emergentes mais vinculadas ao país.

“Isso ocorreria caso o governo busque conter o endividamento por meio da redução dos déficits primários, o que tende a desacelerar a atividade econômica. Por outro lado, se houver uma intensificação da guerra comercial com os Estados Unidos, o enfraquecimento das exportações pode levar Pequim a adotar novas medidas de estímulo, ampliando o déficit e, consequentemente, a dívida pública”, afirmou.

Rafael Prado também destaca que o aumento da dívida tende a elevar os juros futuros na China, o que pode atrair capitais para o mercado doméstico de renda fixa e reduzir o fluxo de recursos destinados a outros países emergentes, pressionando também suas curvas de juros.

Já o especialista em finanças, mercado de capitais e educação financeira e analista do CNN Money Gilvan Bueno destaca a importância dos setores de manufaturados e imobiliário para a China.

“Uma explosão de uma dívida global da China começa a reduzir o crescimento mundial, reduzir a produtividade de algumas empresas, gerando aumento do desemprego, as cadeias produtivas ficando com estoques altos”, disse o especialista ao CNN Money.

Bueno menciona, por exemplo, o impacto do colapso da empresa chinesa Evergrande para a economia do país. O setor imobiliário é responsável por cerca de 1/3 do PIB do país.

A gigante imobiliária chinesa foi responsável pelo pontapé da crise que atravessa o setor no país desde 2021. Na época, a incorporadora anunciou que não conseguiria pagar suas dívidas de 2,4 trilhões de yuans (cerca de R$ 1,7 trilhão), valor equivalente a 2% do PIB da China.

“Quais foram os primeiros sinais? Os países que exportavam para lá [China] começaram a ter impacto. Por exemplo, o setor de siderurgia e mineração começou a passar por um grande problema. O setor de commodities e manufaturados, indústria da transformação passaram por problemas. São setores que fazem o primeiro emprego”, disse Gilvan.

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