Entenda por que Banco Central decretou liquidação extrajudicial da Reag
Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, que até julho de 2023 era a maior casa independente do Brasil com mais de R$ 340 bilhões sob gestão, teve irregularidades financeiras
O Banco Central decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários SA, nova denominação da REAG Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários SA. A decisão foi motivada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Segundo o comunicado oficial do Banco Central, a REAG representa menos de 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Nacional, o que indica que a liquidação não apresenta risco sistêmico para o mercado financeiro brasileiro. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição.
A REAG, que até julho de 2023 era a maior gestora independente do Brasil, administrava aproximadamente R$ 341,5 bilhões, conforme dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais. Entre suas estratégias de destaque estavam os fundos de investimento em participações, segmento em que era a segunda maior gestora do mercado, fundos de investimento em direitos creditórios, onde detinha o terceiro maior patrimônio sob gestão da indústria, e multimercados, com o segundo maior share de mercado.
Ligação com investigações recentes
A liquidação da REAG ocorre um dia após seu fundador, João Carlos Mansur, ter sido alvo de mandados de busca e apreensão em uma nova fase da operação Compliance Zero, que investiga possíveis fraudes no sistema financeiro. A empresa já havia aparecido em investigações anteriores, como a operação Carbono Oculto, que revelou a distribuição de dinheiro do crime organizado em fundos de investimento no mercado brasileiro.
O Banco Central informou que continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis.
Diferentemente do caso do Banco Master, também sob investigação, os investimentos em corretoras e distribuidoras de títulos mobiliários como a REAG não são cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Especialistas apontam que a liquidação da REAG pode gerar uma quebra de confiança no mercado, principalmente em relação às gestoras independentes, apesar de não haver risco sistêmico para a economia brasileira.


