Entramos em mundo multipolar, diz Spitz ao CNN Money
Roger Spitz afirmou ao CNN Money que conflitos modernos assumem natureza híbrida, incorporando elementos como guerra cibernética, mídias sociais e geoeconomia

O cenário global está passando por uma transformação significativa, migrando de um sistema multipuralista para um mundo multipolar, onde diferentes visões de mundo podem coexistir de forma irreconciliável, segundo análise de Roger Spitz, CEO do Disruptive Futures Institute e especialista em futurismo, em entrevista ao CNN Money nesta quarta-feira (1º).
Spitz destaca que até mesmo o conceito tradicional de guerra está sendo remodelado.
"Você até poderia categorizar uma guerra como híbrida. Não tem aqueles elementos identificáveis e claros no começo, no fim, ou onde for. Ou em relação aos envolvidos", observa.
Nova ordem mundial
No contexto atual, as regras globais estão em constante evolução, com incertezas sobre quais serão as novas diretrizes e quem as respeitará. Spitz ressalta a emergência de diversos atores, tanto estatais quanto não-estatais, que ganham proeminência neste cenário dinâmico.
O especialista enfatiza que, embora o conhecimento histórico seja valioso, não é suficiente para prever com precisão os desenvolvimentos futuros.
O atual ambiente global caracteriza-se por interações complexas entre diferentes setores, incluindo sociedade, economia, tecnologia, geopolítica, saúde e educação, criando um sistema altamente interconectado e imprevisível.
Inteligência artificial
A inteligência artificial enfrenta limitações significativas quando se trata de prever cenários de incerteza, afirma Spitz. Essa constatação emerge em um momento de crescente debate sobre as capacidades e limites das tecnologias de IA.
O especialista enxerga que questões complexas envolvendo dinâmicas geopolíticas, geoeconômicas e geotecnológicas não podem ser analisadas de forma isolada, pois existe uma intrincada rede de interações entre elas.
Ele ressalta que desenvolvimentos em biotecnologia, avanços em IA e impactos climáticos sobre migrações humanas são exemplos de variáveis que se entrelaçam de maneiras imprevisíveis.
Spitz enfatiza que a IA não consegue oferecer respostas precisas em ambientes altamente imprevisíveis, pois não existem dados futuros para alimentar seus algoritmos.
"A IA pode lhe dar uma resposta, mas não é capaz de melhor predizer o impredizível, porque não há um tempo no futuro", explica.
O especialista sugere que o uso mais adequado da IA está na análise descritiva e em perspectivas preditivas que podem informar cenários futuros, desde que utilizadas como parte de um processo adaptativo de feedback.
Disrupção
Spitz argumenta que o fenômeno disruptivo passou por uma evolução significativa, tornando-se mais complexo e interconectado do que anteriormente se pensava.
O autor do livro "Disrupt With Impact" enfatiza que o conceito atual de disrupção transcende aspectos isolados.
"A disrupção é sistêmica", afirma, destacando que não se trata apenas de produtos tecnológicos ou inovações pontuais, mas de um fenômeno que interage com múltiplos aspectos do mercado simultaneamente.
Esta nova perspectiva, denominada por Spitz como "Disrupção 3.0", representa uma mudança fundamental na compreensão do fenômeno.
Segundo ele, os efeitos disruptivos agora se propagam em cascata, criando transformações interconectadas que afetam diversos setores e aspectos do mercado de forma simultânea e interdependente.


