"Esmorecimento" no esforço de reformas fiscais pressiona juros, diz BC
Para o Banco Central, a expansão de crédito com apoio público, em um cenário fiscal frágil, pode dificultar o trabalho de conter a inflação

O Copom (Comitê de Política Monetária) voltou a alertar para riscos na trajetória da dívida pública, para o "esmorecimento" no esforço de reformas fiscais e para o aumento do crédito direcionado, ao avaliar que esses fatores podem pressionar o cenário de juros e dificultar a condução da política monetária.
A avaliação consta na ata da última reunião do Comitê, publicada nesta terça-feira (16). Segundo o documento, “o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia”.
Para o Banco Central, a expansão de crédito com apoio público, em um cenário fiscal frágil, pode dificultar o trabalho de conter a inflação e manter os juros elevados por mais tempo.
De acordo com o texto, “uma política fiscal que atue de forma contracíclica e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta”.
A ata também reforça a necessidade de coordenação entre as políticas econômica e monetária.
Segundo o documento, “o debate do Comitê evidenciou, novamente, a necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas”, avaliação que se repete em meio ao esforço do Banco Central para ancorar as expectativas de inflação.
Por fim, o Copom destacou que o ambiente atual segue marcado por elevada incerteza, o que exige cautela adicional na condução da política monetária.
A ata afirma que “o cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária”.


