CNN Brasil Money

EUA adiam implementação de acordo tecnológico de US$ 40 bi com Reino Unido

"Tech Prosperity Deal" ("Acordo de Prosperidade Tecnológica", em tradução livre), que abrange inteligência artificial, computação quântica e energia nuclear civil, foi firmado durante a visita de Estado do presidente Donald Trump ao Reino Unido em setembro

Reuters
Bandeira dos EUA
Bandeira dos Estados Unidos  • Aaron Burden/Unsplash
Compartilhar matéria

Os Estados Unidos estão adiando a implementação de um acordo tecnológico de US$ 40 bilhões com o Reino Unido, de acordo com autoridades, após preocupações em Washington sobre a abordagem de Londres em relação à regulamentação digital e a padrões alimentares.

O "Tech Prosperity Deal" ("Acordo de Prosperidade Tecnológica", em tradução livre), que abrange inteligência artificial, computação quântica e energia nuclear civil, foi firmado durante a visita de Estado do presidente Donald Trump ao Reino Unido em setembro, em uma celebração dos laços estreitos entre os países e da capacidade de trabalharem juntos em comércio e tecnologia.

O Reino Unido tornou-se o primeiro país a concordar, em princípio, com a redução de algumas tarifas americanas em maio, mas a implementação tem sido lenta. As negociações em setores como o siderúrgico estagnaram, embora os dois lados tenham chegado a um acordo preliminar para o setor farmacêutico no início deste mês.

Autoridades britânicas confirmaram nesta terça-feira (16) que os EUA pausaram a implementação do acordo tecnológico. O jornal The New York Times, que noticiou a medida em primeira mão, afirmou que as autoridades americanas estavam frustradas com as regras britânicas de segurança online, o imposto sobre serviços digitais e as restrições à segurança alimentar.

Reino Unido afirma estar comprometido em trabalhar com os EUA

Ministros britânicos afirmam que o acordo tarifário de maio permitiu maiores exportações de carne bovina dos EUA sem comprometer os padrões do Reino Unido e insistem que as regulamentações digitais e os impostos não serão negociados.

Um porta-voz do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, recusou-se a comentar em detalhes o que chamou de "negociações em andamento", acrescentando que o relacionamento com Washington continua forte.

"Negociações desse tipo nunca são simples. Obviamente, ambas as partes querem o melhor para os seus respectivos países, mas... continuamos em conversas ativas", afirmou ele a repórteres, destacando que é "natural e normal" que os países priorizem os próprios interesses.

"Essas negociações não são simples. São complexas e levam tempo para serem concluídas", continuou.

No âmbito do "Acordo de Prosperidade Tecnológica", o Reino Unido e os Estados Unidos concordaram em trabalhar juntos em computadores quânticos e inteligência artificial, enquanto empresas como Microsoft, Google, Nvidia e OpenAI se comprometeram a investir dezenas de bilhões de dólares no Reino Unido.

A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.

Os EUA são o maior parceiro comercial do Reino Unido, e grandes empresas americanas de tecnologia já investiram bilhões de dólares em operações no país.

O secretário de Comércio britânico, Peter Kyle, visitou os Estados Unidos na semana passada para conversas com autoridades comerciais e empresas de tecnologia e "ressaltou a importância de manter o ritmo na implementação de todos os aspectos do acordo entre o Reino Unido e os EUA", informou o gabinete.

"Ambos os lados concordaram em continuar as negociações em janeiro", apontou.

Acompanhe Economia nas Redes Sociais