Fim da 6x1: Queda no poder de compra anularia efeito da PEC, diz economista

Juliana Inhasz, professora de economia do Insper, projeta repasse de preços ao consumidor, que prejudicaria eficácia da redução na jornada

André Vasconcelos, da CNN Brasil, São Paulo
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Travada no Senado, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) pelo fim da escala 6x1 traz preocupações quanto ao aumento nos custos para o setor produtivo e os consumidores.

Juliana Inhasz, professora de economia do Insper, afirmou em entrevista à CNN Brasil que teme como a alteração pode afetar o bolso e a qualidade de vida dos trabalhadores.

"Se essa medida levar a um aumento dos preços, à uma inflação, que vá corroer de alguma forma o poder de compra dessa população, a medida vai ser muito pouco efetiva", questiona.

Ela não vê garantias de que a capacidade dos trabalhadores produzirem mais com menos horas trabalhadas semanalmente, o que pode aumentar o custo da produção e trazer a necessidade de aumento do quadro de funcionários das empresas.

"Isso pode levar inclusive à necessidade de uma contratação adicional para tentar manter a produção anterior", afirma Inhasz.

A professora analisa que essa alta no custo para as empresas deverá levar então a repasses proporcionais na ponta para o cliente.

Ela propõe uma análise anterior sobre a baixa renda da população brasileira e prevê que os trabalhadores ainda mantenham jornadas duplas por conta do baixo poder aquisitivo.

"Essa sociedade só vai melhorar a partir do momento em que nós conseguirmos ter produtividade e que a renda aumente", afirma Inhasz.

Sobre o período de transição, a professora considera que ele seja curto e pede planejamento para ganhos efetivos na produção, o que levaria um "tempo de adaptação". Ela vê, no entanto, uma busca por efeitos imediatos da proposta em 2026.

"A gente entende por que esse período é curto. Existe uma necessidade de retornar à sociedade algum tipo de benefício, a gente está em um ano em que essas medidas são implementadas de forma muito rápida", conta.

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