Fim da escala 6x1 pode reduzir PIB em 0,82%, aponta Inter
Instituição aponta que ganho de produtividade de 0,47% pode compensar perda, mas ressalta dificuldades estruturais

Um estudo do Inter aponta que a proposta do governo do fim da escala 6x1 e limitação da carga horária para 40 horas semanais pode reduzir o PIB (Produto Interno Bruto) em cerca de 0,82% no médio prazo, afetando sobretudo setores intensivos em trabalho e com maior formalização.
Segundo o documento, ganhos de produtividade poderiam compensar essa perda, apesar de limitações estruturais do Brasil - com destaque para baixa poupança, rigidez trabalhista e barreiras à importação de tecnologia, - trazerem incertezas a esse movimento de correção.
A exigência de reduzir as atuais 44 horas para 40 horas semanais seria um aumento agregado de 0,47% na produtividade, pondera o Inter.
"Por impactar na utilização de um insumo produtivo, o fator trabalho, qualquer mudança na jornada de trabalho terá impacto agregado na economia. Portanto, a discussão do tema precisa se pautar, também, nos custos associados a essa política, de modo que a sociedade possa tomar a decisão adequadamente", aponta.
O estudo utilizou um modelo econômico setorial calculando a perda de produtividade a partir de um aumento no custo de produção, para simular as alterações sofridas em cada segmento do setor produtivo.
Segundo documento, a escolha ocorre, pois, a economia brasileira está distribuída em diversos setores que variam em características relevantes para este estudo.
O setor de vigilância seria o mais impactado, com aumento de 5,5% nos custos. Em contrapartida, os setores de atividades imobiliária e de refino de petróleo teriam impacto nulo.
Além disso, o aumento dos custos de trabalho provocado pelo fim da escala 6x1 reflete apenas uma parcela da estrutura de custos de produção na economia.
O levantamento aponta que haveria impactos maiores em ramos como a saúde pública, de 2%, que é intensiva em trabalho, do que na agricultura, de 0,1%, que não sofreria elevação nos custos por ser uma atividade intensiva em capital.
Projetos distintos
"Entretanto, é pouco provável que essa redução adicional seja implementada, e é possível que o limite de 40 horas, já suficiente para colocar o Brasil em linha com os regimes de trabalho menos extensos da América do Sul, seja implementado gradualmente", cita o Inter.


