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Galípolo: Nova política é 1º passo para transição do modelo imobiliário

Presidente do BC participa em São Paulo do lançamento da nova política imobiliária do governo

Danilo Moliterno, da CNN Brasil, em São Paulo
Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante coletiva de imprensa, em Brasília
Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante coletiva de imprensa, em Brasília  • 27/03/2025 - Reuters/Adriano Machado
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O presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, disse durante evento na capital paulista nesta sexta-feira (10) que a nova política habitacional do governo federal é o "primeiro passo" para a transição do modelo de financiamento imobiliário do país.

"Damos hoje o primeiro passo, ainda utilizando recursos da poupança, mas a partir deles endereçando uma série de questões estruturais", disse Galípolo.

Segundo o presidente do BC, a nova política vai permitir combinar e maximizar recursos da poupança e instrumentos de mercado voltados ao financiamento imobiliário.

Para Galípolo, a medida dará mais estabilidade ao mercado e — ao promover uma mudança estrutural — colabora com a política monetária.

Galípolo destacou em sua fala que a medida é uma resposta ao esvaziamento da poupança, uma das principais fontes para o financiamento de moradias no país. "Com as pessoas tendo mais acesso à educação financeira e produtos e natural que a atratividade destes produtos caia", disse.

O evento da Presidência da República marca o lançamento da nova política, que estará voltada especialmente à classe média, para financiar moradias a famílias que ganham entre R$ 12 mil e R$ 20 mil.

Como mostrou à CNN, a medida vai, na prática, liberar dinheiro do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), segundo fontes próximas ao assunto.

Hoje, 65% dos recursos captados pelos bancos da poupança precisam ser direcionados ao crédito imobiliário; 15% estão livres para operações mais rentáveis; e 20% ficam com o BC (Banco Central) na forma de compulsório.

A política do governo será permitir a livre utilização dos recursos pelos bancos em operações rentáveis, com a contrapartida de as instituições concederem crédito imobiliário em montante equivalente ao captado.

Assim, serão inicialmente liberados 5% do compulsório e, caso não haja intercorrências, os 20% estarão disponíveis a partir de 2027.

Durante as discussões da proposta, o setor imobiliário avisava ao governo que temia impactos de uma mudança abrupta e pedia uma regra de transição.

Atualmente o SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) acumula em torno de R$ 750 bilhões. Assim, num primeiro momento a injeção poderia chegar a R$ 35 bilhões, e quando a política estiver estabelecida, a R$ 150 bilhões.

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