Haddad deve levar acordo de cooperação com EUA sobre terras raras
Ministro da Fazenda tem encontro virtual marcado com secretário do Tesouro americano para tratar de tarifas de 50%
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (4) que vai conversar com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, sobre um possível acordo de cooperação com os Estados Unidos envolvendo minerais críticos e terras raras, em meio às tensões comerciais causadas pelo aumento de 50% de tarifas sobre produtos brasileiros.
A reunião deve ocorrer nesta semana, de forma virtual, e busca abrir caminho para um eventual diálogo entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
“Se tratando da maior economia do mundo, o Brasil pode participar mais do comércio bilateral e, sobretudo, de investimentos estratégicos. Temos minerais críticos e terras raras, os EUA não são ricos nesses minerais. Podemos fazer acordos de cooperação para produzir baterias mais eficientes”, disse Haddad em entrevista à TV Band.
Segundo o ministro, áreas como tecnologia, biotecnologia e energia limpa também estão no radar da cooperação bilateral.
“Na área tecnológica temos muito a aprender e temos muito também a ensinar. Veja o objeto de desejo que se tornou o Pix, que tem sido considerado por prêmios Nobel de Economia o futuro da moeda digital”, afirmou.
“Para quem está com medo de cripto, desdolarização, nós temos uma tecnologia que pode interessar muito ao mundo”, frisou.
Haddad também destacou o potencial brasileiro em energia solar, especialmente diante do crescimento dos data centers no país.
“Tanto quanto os EUA, temos hoje o maior potencial de custo-benefício de energia solar, que é a energia que vai abastecer os datacenters no Brasil. Sessenta por cento dos dados são mandados para fora para serem processados lá. Isso é uma questão de soberania nacional”, pontuou.
Plano é para proteger setores mais vulneráveis
O plano de contingência elaborado pelo governo, e que deve ser divulgado nos próximos dias, visa mitigar especialmente o impacto sobre uma fatia específica das exportações brasileiras.
Haddad pontuou que o país tem uma gama diversificada de parceiros comerciais e setores como café e carne podem encontrar saídas facilmente, por se tratar de commodities.
No entanto, há outros setores que podem ser mais impactados por serem menores e direcionados à economia norte-americana.
“O Brasil não terá dificuldade de redirecionar essas commodities para outras praças comerciais. Mas há outros setores que esses sim inspiram muito cuidado, um impacto que poderemos considerar microeconômico, pois não afeta a macroeconomia. Mas nós não queremos prejudicar ninguém em torno dessa injustiça”, afirmou.
Ele afirmou ainda que haverá encontros com centrais sindicais nesta semana para tratar do tema.
“Amanhã teremos encontros com as centrais sindicais para fazer o melhor desenho de política pública possível”, frisou.


