Haddad diz não acreditar que MP alternativa ao IOF vá caducar

Fala do mistro vem na véspera da data de vencimento da Medida Provisória, que precisa ser aprovada tanto no plenário da Câmara dos Deputados quanto do Senado até quarta-feira para não caducar

Reuters
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (7) não acreditar que a medida provisória que altera a taxação de aplicações financeiras para compensar a revogação do aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) perderá validade, e disse que as conversas em torno de um acordo para aprovar a medida estão bem encaminhadas.

A fala de Haddad ao programa Bom Dia, Ministro, do CanalGov, vem na véspera da data de vencimento da MP, que não foi sequer aprovada em comissão mista e precisa ser aprovada tanto no plenário da Câmara dos Deputados quanto do Senado até quarta-feira para não caducar.

"Eu não acredito que vá acontecer isso", disse Haddad quando questionado sobre a possibilidade de a MP perder validade.

"Eu acredito que a negociação está indo bem e sabendo a dose, que eu acho que está sendo bem administrada, vamos sair do outro lado numa situação melhor."

A proposta enviada pelo governo retira a isenção de imposto de renda de algumas aplicações financeiras, além de aumentar a taxação sobre casas de apostas online, as chamadas bets.

A MP foi editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para compensar a perda de arrecadação após o governo recuar de parte do aumento do IOF, após forte reação da opinião pública.

A MP tem encontrado resistências principalmente na bancada do agronegócio por retirar isenção ou alterar alíquotas de aplicações financeiras vinculadas ao setor.

Na entrevista, Haddad também disse que o governo brasileiro não irá alterar a estratégia de negociação com os Estados Unidos, pois, entende ele, a atual está dando certo.

Após um telefonema na véspera entre Lula e o presidente dos EUA, Donald Trump, Haddad disse que a determinação dos dois líderes é de virar uma página que ele classificou de "equivocada" e que, em sua avaliação, marcou a relação bilateral nos últimos meses.

Lula e Trump concordaram na segunda-feira em encontrar-se pessoalmente em breve, após um primeiro telefonema entre ambos em tom classificado como "amistoso" pelo governo brasileiro.

Haddad defendeu que a sobretaxa comercial de 40% imposta pelos EUA a vários produtos brasileiros tem natureza política e deve ser retirada para todos os produtos vendidos pelo Brasil aos EUA.

Eleições

O titular da Fazenda reiterou ao Bom Dia, Ministro que não pretende ser candidato na eleição do próximo ano, apesar de seu nome ser cotado para disputar o governo de São Paulo -- o qual ele disputou e foi derrotado pelo atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2022 -- ou uma cadeira ao Senado pelo mesmo Estado.

"Não pretendo ser candidato ano que vem. Creio que posso ajudar de várias outras maneiras o presidente Lula, vou estar engajado, acho muito importante o trabalho que o presidente Lula está fazendo de resgate da cidadania do Brasil", disse.

"Vou ter ainda uma conversa com o presidente sobre isso, provavelmente, e vou colocar o meu ponto de vista de como eu acredito que possa colaborar melhor."

Sobre Lula, que deverá disputar a reeleição em busca de um quarto mandato na Presidência, Haddad avaliou que o petista pode chegar ao pleito não só competitivo, mas favorito.

"Lula vai entregar o país muito melhor do que ele recebeu, então eu acredito que ele vai chegar bem (nas eleições)", disse. "Ele tem tudo para chegar muito competitivo e até favorito."

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