Impasse do IOF fomenta necessidade de contenção de gastos, diz Zeina Latif

Especialista analisa o aumento da alíquota do IOF e seus impactos na economia brasileira, destacando a urgência de medidas para controle de despesas

Da CNN Brasil
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O recente aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) tem gerado controvérsias e evidenciado a necessidade de contenção de gastos públicos, segundo a análise de Zeina Latif, sócia-diretora da Gibraltar Consulting em entrevista ao CNN Money nesta segunda-feira (2).

A medida, anunciada pelo governo federal, visa aumentar a arrecadação em cerca de R$ 20 bilhões este ano, com previsão de dobrar esse valor no próximo ano. Latif destaca que a decisão é "nitidamente uma medida para fins arrecadatórios", ressaltando que o impacto é significativamente maior do que em ocasiões anteriores.

A especialista aponta que a medida traz diversas distorções para o sistema econômico: "Você tem um impacto forte no setor produtivo elevando o custo do crédito, e isso é praticamente uma aberração assim quando a gente compara o Brasil com a experiência internacional".

Impacto na credibilidade do governo

A decisão também tem gerado desgaste político, afetando a credibilidade do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Latif observa que este episódio se soma a outros que já vinham comprometendo a confiança dos investidores na capacidade do governo de implementar uma agenda de ajustes fiscais.

"Do ponto de vista da capacidade do ministro de trazer tranquilidade para os investidores, previsibilidade, o compromisso de que tem ali uma preocupação de fato concreta com a disciplina fiscal e um ministro com capacidade política para trazer uma agenda de ajuste fiscal. Isso já vinha sendo comprometido", afirma Latif.

Necessidade de medidas estruturais

A economista enfatiza que o governo deveria ter adotado medidas de contenção de despesas desde o início, argumentando que o diagnóstico inicial do atual governo, de que não era necessário fazer ajustes nas despesas, estava equivocado.

Latif sugere que, mesmo com o limitado grau de liberdade atual, o governo poderia ter buscado alternativas menos prejudiciais ao mercado de crédito e à economia como um todo: "Daria para ter feito uma coisa um pouco mais elaborada, mais cuidadosa".

A especialista conclui que, diante do cenário atual, é provável que se chegue a um "meio do caminho" nas negociações entre governo e Congresso, buscando um equilíbrio entre os diversos interesses em jogo. No entanto, ela adverte que esta solução ainda estará "longe de ser uma situação ideal" para as finanças públicas do país.

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