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    Inflação desacelera em junho e avança 0,21%, diz IBGE

    No ano, a alta de preços acumulada é de 2,48% e, nos últimos 12 meses, de 4,23%

    Preços de serviços ainda são preocupantes na visão dos especialistas que acompanham a inflação do país
    Preços de serviços ainda são preocupantes na visão dos especialistas que acompanham a inflação do país 11/01/2017REUTERS/Paulo Whitaker

    Reuters

    A inflação perdeu força no Brasil em junho e ficou abaixo do esperado com pressão menos intensa nos preços de alimentação e de serviços, embora a taxa em 12 meses tenha superado 4%.

    O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,21% em junho, depois de um avanço de 0,46% em maio, em resultado que ficou aquém da expectativa em pesquisa da Reuters de alta de 0,32%.

    Os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram ainda que o IPCA passou a acumular nos 12 meses até junho alta de 4,23%, de 3,93% em maio.

    A expectativa para este dado era de 4,35% e, ainda que abaixo do esperado, voltou a ficar acima de 4% depois de três meses.

    O centro da meta para a inflação, medida pelo IPCA, é de 3,0% este ano, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

    O maior peso em junho partiu do grupo de Alimentação e bebidas, que entretanto desacelerou a alta a 0,44% em junho, de 0,62% em maio.

    Na alimentação no domicílio, os preços subiram 0,47%, de 0,66% no mês, com quedas de preços em cenoura (-9,47%), cebola (-7,49%) e frutas (-2,62%). Na outra ponta, subiram os custos de batata inglesa (14,49%), leite longa vida (7,43%) e arroz (2,25%).

    O grupo com maior variação foi o de Saúde e cuidados pessoais, com avanço 0,54%, mas também mostrando arrefecimento sobre a taxa de 0,69% de maio. A influência partiu dos aumentos de 1,69% de perfumes e de 0,37% dos planos de saúde.

    “Neste caso, decorre do reajuste de até 6,91% autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em 4 de junho, com vigência a partir de maio de 2024 e cujo ciclo se encerra em abril de 2025. Assim, no IPCA de junho, foram apropriadas as frações mensais relativas aos meses de maio e junho”, explicou o gerente da pesquisa, André Almeida.

    Já a inflação de serviços mostrou forte alívio ao passar a uma variação positiva de apenas 0,04%, depois de subir 0,40% em maio, acumulando em 12 meses alta de 4,49%, ainda acima do índice geral.

    O índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, teve em junho queda a 52%, contra 57% em maio.

    O Banco Central vem mostrando preocupação com a desancoragem das expectativas de inflação, tendo interrompido o ciclo de afrouxamento monetário ao manter no mês passado a taxa básica de juros Selic em 10,5%.

    A desvalorização do real ante o dólar agora deve se somar às preocupações com a inflação de serviços, em meio a um mercado de trabalho aquecido.

    A mais recente pesquisa Focus divulgada pelo BC mostra que o mercado projeta alta do IPCA de 4,02% este ano, indo a 3,88% em 2025.