Liquidação do Master foi motivada por "grave crise de liquidez", diz BC

Segundo autoridade monetária, apurações poderão resultar em novas sanções

Vitória Queiroz, da CNN Brasil, Brasília
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O BC (Banco Central) informou nesta terça-feira (18) que a liquidação do Banco Master foi motivada por "grave crise de liquidez" e "graves violações" às normas do sistema financeiro, e que continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais.

A decisão encerrou as chances de a instituição ser vendida ao Grupo Fictor, que havia manifestado interesse na aquisição na véspera. Fontes próximas ao tema confirmaram que a liquidação inviabiliza o avanço do acordo de venda.

"A decretação do regime especial nas instituições foi motivada pela grave crise de liquidez do Conglomerado Master e pelo comprometimento significativo da sua situação econômico-financeira, bem como por graves violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do SFN", informou em nota.

Segundo o BC, as apurações poderão resultar em novas sanções "de caráter administrativo".

"Nos termos da lei, ficam indisponíveis, a partir de hoje, os bens dos controladores e dos ex-administradores das instituições objeto dos regimes especiais decretados", disse.

O conglomerado do Banco Master detém 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Foram liquidados de forma extrajudicial o Banco Master S/A, do Banco Master de Investimento S/A, do Banco Letsbank S/A, e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.

O BC também determinou Regime Especial de Administração Temporária do Banco Master Múltiplo S/A. De acordo com a autoridade monetária, a opção pelo regime se mostrou mais adequada tendo em vista a possibilidade concreta de solução que preserva o funcionamento da sua controlada Will Financeira.

O termo de liquidação, assinado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, também coloca sob intervenção a corretora de câmbio do banco. A notícia chegou no mesmo dia em que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso pela PF (Polícia Federal) em São Paulo.

Em nota, o Master afirma que o banqueiro constituiu uma equipe de advogados que cuidarão de sua defesa.

"No mesmo dia, advogados, por ele e pelo Banco Master, colocaram-se, como já haviam feito antes, à disposição para cooperar com as autoridades, prover informações, participar de audiências, inclusive com a presença de Vorcaro", diz a nota.

Na véspera, o banco anunciou que seria comprado por um consórcio entre a Fictor Holding Financeira e investidores dos Emirados Árabes Unidos. Segundo a equipe de Vorcaro, a viagem seria para se encontrar com os compradores.

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