Deputados do DF pedem CPI do Banco Master para investigar negócio do BRB
Comissão na Câmara Legislativa do Distrito Federal pretende apurar tentativa de compra de R$ 2 bilhões, suspeitas de gestão fraudulenta, uso indevido de recursos públicos, além de irregularidades apontadas na Operação Compliance Zero

Deputados distritais de oposição protocolaram o pedido de criação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Banco Master na CLDF (Câmara Legislativa do Distrito Federal), após a liquidação extrajudicial da instituição e o afastamento da diretoria do BRB (Banco de Brasília).
O requerimento, assinado por Fábio Felix (PSOL) e Chico Vigilante (PT), mira as negociações que previam a compra de 58% do Master por cerca de R$ 2 bilhões.
A CPI deve analisar todo o processo, desde a aprovação da compra pelo conselho do banco público até o veto do negócio pelo BC (Banco Central) e a liquidação extrajudicial do Master.
O documento cita possíveis práticas de gestão fraudulenta e temerária, mencionadas pela PF (Polícia Federal) na Operação Compliance Zero, que levou à prisão do controlador do Master, Daniel Vorcaro, e ao afastamento judicial da diretoria do BRB.
O texto ainda pontua que o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), defendeu publicamente a operação, justificando que iria "salvar" as operações do Master e que "fortaleceria o BRB, ampliaria sua competitividade e geraria dividendos revertidos em obras e políticas".
O requerimento também aponta suspeitas de uso indevido de recursos públicos, ingerência política e riscos ao erário.
"Há indícios de que a operação poderia representar uma socialização de prejuízos privados com recursos públicos, além de suspeitas de ingerência política e favorecimento indevido, conforme apontado por parlamentares e pela imprensa. A relevância econômica, institucional e social do caso exige apuração rigorosa para assegurar transparência, responsabilização e proteção ao erário", diz o documento.
Fábio Felix afirma que a CPI é necessária diante da gravidade das operações entre as duas instituições.
“A operação pode ter resultado em graves prejuízos para a população do DF. Alertamos desde o início para o absurdo dessa negociação”, disse. “Ibaneis conhecia o histórico do Master e, mesmo assim, colocou o patrimônio da cidade em risco”, completou.
O texto também prevê investigação de auditorias internas, pareceres, denúncias envolvendo o Projeto Luna e eventuais favorecimentos indevidos dentro do BRB.
Nota do Master
Em nota, o Master afirma que o banqueiro constituiu uma equipe de advogados que cuidarão de sua defesa.
"No mesmo dia, advogados, por ele e pelo Banco Master, colocaram-se, como já haviam feito antes, à disposição para cooperar com as autoridades, prover informações, participar de audiências, inclusive com a presença de Vorcaro", diz a nota.
Na véspera, o banco anunciou que seria comprado por um consórcio entre a Fictor Holding Financeira e investidores dos Emirados Árabes Unidos. Segundo a equipe de Vorcaro, a viagem seria para se encontrar com os compradores.


