IPCA deve ter alta de aproximadamente 0,9% em fevereiro, segundo FGV

Resultado será impactado pelo reajuste na mensalidade escolar e alimentos, de acordo com o economista André Braz; alta dos combustíveis só deverá ser sentida no índice do mês de março

Nathalie Hanna Alpaca, da CNN, no Rio de Janeiro
Compartilhar matéria

Uma projeção feita pelo economista André Braz, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a pedido da CNN, mostra que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) deve ter uma alta de 0,85% a 0,9% em fevereiro, em comparação com o primeiro mês de 2022.

O indicador oficial será divulgado nesta sexta-feira (11), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A guerra não impactará no resultado dessa inflação, de acordo com Braz. Ele afirmou à CNN que essa alta, na realidade, será resultado principalmente da mensalidade escolar e dos alimentos in natura, ou seja, os que não são industrializados, como as frutas e os legumes.

“Como o reajuste da mensalidade escolar sempre é feito no mês de fevereiro, esse deve ser o principal fator da inflação do mês. Ele pesa no orçamento familiar e ainda subiu mais de 5% na média. Então certamente ela terá um destaque maior nesse IPCA”, afirma.

Braz apontou que a contínua alta dos alimentos in natura se dá em função das variações climáticas causadas pelo verão. Ele observa que o excesso de chuva e de calor diminuem a oferta desses produtos e, consequentemente, afetam os preços.

“Sabemos que as hortaliças, legumes e frutas não toleram essas temperaturas altas que dos últimos meses. As chuvas torrenciais, que ocorreram no início de fevereiro, também não ajudam no cultivo dos alimentos. Isso provoca o efeito sazonal, que acontece sempre no verão e faz com que o preço aumente”, diz.

De acordo com ele, em março, a inflação já deverá ter o impacto do aumento dos preços dos combustíveis. A expectativa do economista para o próximo mês estava em 0,7%, mas com essa elevação de valores desses produtos, esse número pode saltar para 1,10%.

“Nós contávamos com desacelerações, mas devemos contar com acelerações para os próximos meses. Isso pode fazer com que a inflação do ano suba. Esse é apenas o efeito direto do aumento dos combustíveis na bomba. O indireto iremos colher a partir do aumento do diesel no transporte urbano e rodoviário, e pode subir e ainda elevar os custos dos outros seguimentos”, ressalta o economista.

Braz também chamou atenção para os preços dos grãos que estão subindo, como o milho, soja e trigo. Segundo ele, esse fato deve encarecer a cesta básica e aumentar a inflação do ano.

A projeção dele estava em 6,2%, mas deve subir para 7,5%.

Acompanhe Economia nas Redes Sociais