Reag: Conheça história da gestora que teve liquidação decretada pelo BC
Empresa foi liquidada pelo Banco Central nesta quinta-feira (15) por graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional

A Reag Investimentos foi liquidada pelo Banco Central nesta quinta-feira (15). A decisão foi motivada por graves violações às normas do SFN (Sistema Financeiro Nacional).
Dados da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) de 2024 indicam que a empresa foi constituída em junho de 2019 e teve seu funcionamento autorizado pelo Banco Central em janeiro de 2020.
A empresa exercia a atividade de administração fiduciária, além de Custódia e Escrituração de Valores Mobiliários, Representação de Investidor Não Residente e Distribuição de Valores Mobiliários, especialmente dos Fundos que administrava. A autorização para realizar tais atividades foi concedida pela CVM em 2020.
Inicialmente, a empresa era denominada de CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A, mas em novembro de 2024 a denominação da sociedade foi alterada para "Reag Trust Distribuidora De Valores Mobiliários S.A". A empresa é uma subsidiária integral de Reag Holding Financeira Ltda.
Alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero na última quarta-feira (14), o empresário João Carlos Mansur aparece como integrante da diretoria da Reag Investimentos em 2020. Desde 2021, o nome dele não aparece mais na estrutura operacional e administrativa da empresa.
Alvo da PF
No ano passado, a empresa foi alvo de investigação por suspeitas de ligação com esquemas de lavagem de dinheiro apurados na operação Carbono Oculto, que apura a relação entre o setor de combustíveis, o PCC e empresas financeiras.
Após a repercussão do caso, a Reag Capital Holding S.A. informou que as estruturas societárias, fundos de investimento e participações sob sua gestão ou administração obedecem integralmente às normas de compliance, governança corporativa e prevenção à lavagem de dinheiro.
A companhia também informou que atua de forma ética, transparente e em conformidade com a legislação e a regulação aplicáveis ao sistema financeiro e de capitais. Disse ainda que está colaborando de forma ampla e proativa com as autoridades competentes, fornecendo todas as informações e documentos necessários ao esclarecimento dos fatos.
“A REAG Capital Holding S.A. vem a público repudiar alegações publicadas na imprensa que buscam indevidamente associar a companhia e a atuação de seus executivos a práticas irregulares e organizações criminosas, sem apresentar quaisquer provas de envolvimento em atos ilícitos”, diz a nota de outubro.
Os registros da companhia mostram que a Reag Trust Distribuidora De Valores Mobiliários atualizou a Política de Prevenção à Lavagem de Dinheiro e de Combate ao Financiamento do Terrorismo em fevereiro de 2022. Nas informações prestadas pela Reag à CVM, consta que o programa é composto por políticas, processos e treinamentos específicos para prevenir e/ou detectar a utilização de sua estrutura, produtos e serviços à lavagem de dinheiro e ao financiamento ao terrorismo.
Reag X Master
O Banco Master mantinha vínculo financeiro com as gestoras de investimentos Trustee DTVM e a Reag Investimentos, alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada para desmantelar esquema de fraudes e de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
Fundos administrados pela Reag Trust estruturaram operações fraudulentas com o Banco Master entre julho de 2023 e julho de 2024, segundo informações repassadas pelo Banco Central ao TCU (Tribunal de Contas da União). No relatório encaminhado à Corte, a autoridade monetária informou que as operações estavam em desacordo com normas do Sistema Financeiro Nacional, apresentando falhas graves de gestão de risco, crédito e liquidez.
Em comunicado divulgado ao mercado em setembro de 2025, após a Operação Carbono Oculto, a Reag Investimentos informou que o fundo Hans 95 negociou CDBs (Certificado de Depósito Bancário) do Banco Master.
Quando a operação foi deflagrada, o Banco Master informou que a Reag era uma prestadora de serviços do banco, com atuação restrita à gestão e administração de fundos, assim como diversas outras gestoras e administradores que prestavam ao banco esse tipo de serviço.
"O Banco Master é apenas um entre centenas de clientes da Reag, que é uma das maiores do País, não tendo qualquer participação na sua gestão, estrutura societária ou decisões internas", disse a instituição na época.


