Master: PF defende extração imediata de dados a partir de bens apreendidos

Segundo apuração de Débora Bergamasco, ao CNN 360°, decisão do ministro Dias Toffoli de manter bens apreendidos no STF gerou preocupação entre investigadores, que temem possível comprometimento das provas

Da CNN Brasil
Compartilhar matéria

A Polícia Federal defende que a extração dos dados contidos em dispositivos eletrônicos apreendidos durante a nova fase da operação que investiga o Banco Master seja feita imediatamente. A apuração é da âncora Débora Bergamasco, ao CNN 360°, que conversou com fontes da corporação sobre o caso.

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (14) que os bens apreendidos durante a operação sejam mantidos sob custódia do próprio Supremo, e não da Polícia Federal, como é o procedimento padrão. Segundo a decisão, o material ficará "acautelado" no STF para "proteger as provas".

De acordo com investigadores ouvidos pela reportagem, essa determinação causou surpresa e preocupação na PF. "O protocolo da Polícia Federal é, apreendeu o material, começa imediatamente a extração", afirmou a âncora, explicando a importância de extrair os dados agora para impedir corrupção.

Um dos exemplos citados por uma fonte da Polícia Federal é a possibilidade de um usuário acessar remotamente o dispositivo apreendido e apagar dados importantes para a investigação.

Questionamentos técnicos e procedimentais

Fontes da Polícia Federal também levantaram questionamentos sobre aspectos técnicos da decisão. Entre as dúvidas estão se o Supremo Tribunal Federal possui equipamentos adequados para realizar a extração de dados e se conta com pessoal técnico habilitado para esse tipo de procedimento.

A decisão de Toffoli menciona que "profissionais competentes" farão a extração e análise dos dados, mas não especifica quem seriam esses profissionais. Quando questionado pela reportagem, o STF não forneceu detalhes adicionais sobre como será realizado o processo.

"Na avaliação do ministro, ele não explica quem são os profissionais competentes. Perguntei ao Supremo Tribunal sobre também, e eles não souberam me responder e que a informação era só aquela mesmo", apontou Bergamasco.

Investigadores da PF classificaram a determinação como inédita e manifestaram descontentamento com a situação. Segundo relatado à CNN, esta seria "a primeira vez na história" em que materiais apreendidos em um inquérito policial precisam ser encaminhados diretamente ao Supremo Tribunal Federal em vez de seguirem para análise na própria corporação.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.