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Lista de tarifas dos EUA tem que acabar de vez, diz Haddad

Para ministro, não faz sentido manter restrições a exportações da América do Sul, já que Mercosul é deficitário na relação comercial com os norte-americanos

Cristiane Noberto, da CNN, Brasília
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante evento em que o Governo Federal anunica medidas contra o tarifaço  • Reprodução/Canal gov
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (23) que a lista de produtos tarifados pelos Estados Unidos contra países da América do Sul “tem que acabar de vez”.

Segundo ele, não faz sentido manter restrições a exportações da região, já que o Mercosul é deficitário na relação comercial com os norte-americanos.

“Se tirar da lista, não há lista. A América do Sul não deve ser tarifada. [...] Essa lista tem que acabar de vez. O Mercosul, a América do Sul, é deficitária em relação aos Estados Unidos. Faz sentido tarifar produtos da América do Sul, do Brasil e de outros países? Tem que ser revertido em algum momento”, disse Haddad após uma palestra no IDP, em Brasília.

O ministro defendeu que as relações entre Brasil e Estados Unidos devem ser pautadas pela cooperação econômica, independentemente do cenário político.

Ao comentar sobre o possível encontro entre o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o americano, Donald Trump, destacou que a principal ideia é "separar a política da economia, porque nós temos enormes possibilidades de parceria".

"O mundo todo, e os Estados Unidos em particular, têm interesse em fechar o acordo com a União Europeia. Tínhamos tratativas em curso no âmbito energético, transformação ecológica, aproveitamento de minerais críticos e diversificação produtiva, que podem ser retomadas se as coisas voltarem à normalidade”, afirmou.

O encontro entre os dois presidentes foi sugerido por Trump, durante conversa na Assembleia Geral da ONU. A iniciativa foi vista como um gesto político, mas o governo brasileiro espera que o diálogo possa também abrir caminho para avançar em temas econômicos.

Segundo Haddad, há espaço para retomar entendimentos que ficaram paralisados.

“Nós temos muitos termos de acordo que já estavam em processo e que podem ser retomados. Até o governo anterior, as tratativas eram basicamente de transformação produtiva, envolvendo energia limpa, minerais raros, biocombustíveis. Agora, é preciso separar o lado econômico e deixar as coisas andarem no seu trilho”, completou.

O ministro voltou a citar o exemplo de produtos agrícolas, como o café, para defender o fim das restrições.

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