Maiores bancadas do Parlamento Europeu defendem suspensão de acordo com EUA
Donald Trump anunciou no sábado (17) uma tarifa de 10% contra os países que enviaram tropas à Groenlândia e são contrários à anexação da região pelos EUA

Durante sessão no Parlamento Europeu nesta terça-feira (20), a líder do grupo político S&D (Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas), Iratxe García, reforçou a defesa pela suspensão das negociações sobre o acordo comercial entre a União Euopeira e os Estados Unidos, que aconteceria na próxima semana.
Ela também pediu a ativação do Instrumento Anticoerção e uma resposta concreta para proteger a integridade territorial da Gronelândia.
A chefe do partido, que tem a segunda maior bancada do Parlamento Europeu, também destacou o apoio do PPE (Partido Popular Europeu, de viés centro-direita), o maior grupo.
“No que diz respeito ao comércio, a Europa tem poder econômico e comercial e deve usá-lo. Por esta razão, apoiaremos a suspensão das negociações sobre o acordo comercial com os Estados Unidos e apelamos à Comissão Europeia para que ative o Instrumento Anticoerção", declarou.
Ela acrescentou que é preciso demonstrar que existe uma maioria europeia que defende os interesses econômicos e comerciais internos. "Saúdo os grupos, como o PPE, que não eram a favor da suspensão destas negociações e que, agora, compreenderam que esta é a coisa certa a fazer", destacou Iratxe García.
No sábado (17), Manfred Weber, à frente do PPE, já havia se pronunciado sobre as ameaças do presidente americano Donald Trump.
"O PPE é favorável ao acordo comercial UE-EUA, mas, dadas as ameaças de Donald Trump em relação à Groenlândia, a aprovação não é possível nesta fase. As tarifas de 0% sobre os produtos americanos devem ser suspensas", escreveu no X.
The EPP is in favour of the EU–U.S. trade deal, but given Donald Trump’s threats regarding Greenland, approval is not possible at this stage. The 0% tariffs on U.S. products must be put on hold. #EuropeanUnity
— Manfred Weber (@ManfredWeber) January 17, 2026
A líder do S&D afirmou ainda que a Europa deve abrir mais áreas de colaboração, apoio e entendimento com outras regiões globais capazes de "compreender o mundo em termos de multilateralismo e democracia", citando o acordo com o Mercosul, que foi assinado em Assunção, no Paraguai, no sábado (17) e reforçando a importância da parceria entre os dois blocos.
"É por isso que o Mercosul é, agora, mais importante do que nunca. O Mercosul é a melhor resposta à Doutrina Monroe de Donald Trump, que defende uma América para os americanos”, argumentou.
A decisão oficial do Parlamento Europeu sobre o acordo UE-EUA está prevista para acontecer nesta quarta-feira (21) em Estraburgo, na França.
O presidente dos EUA anunciou no sábado (17) uma tarifa de 10% contra os países que enviaram tropas à Groenlândia para exercícios militares na Operação Arctic Endurance, depois de o republicano ameaçar anexar a ilha.
Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia – países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – serão taxadas a partir do dia 1º de fevereiro, de acordo com post de Trump na rede social Truth Social, e o valor da tarifa será aumentado para 25% a partir de junho.
Trump afirmou que a tarifa será cobrada até que um acordo seja firmado para a compra total da Groenlândia.
Com isso, a UE pode retaliar os EUA com um pacote de tarifas no valor de 93 bilhões de euros (aproximadamente US$ 107,68 bilhões) - bem como restringir a entrada de empresas norte-americanas no mercado do bloco europeu -, caso não haja acordo com os EUA.


