Mesmo crítico, Haddad acata Pochmann no IBGE, dizem aliados
Nome do economista encontra resistência entre as equipes da Fazenda e do Planejamento
Assim que o nome de Marcio Pochmann começou a circular para a presidência do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no início desta semana, Simone Tebet (Planejamento) procurou Fernando Haddad (Fazenda) antes de uma reunião com Lula, na segunda-feira (24).
Segundo aliados, o chefe da equipe econômica buscou tranquilizar a ministra, apesar de ele também achar que o nome de Pochmann não fosse adequado para o cargo.
Apesar de crítico, aos aliados, Haddad não esboçou surpresa com nome de Pochmann sendo citado e entende que é uma nomeação pessoal do presidente da República.
Nos bastidores do Ministério do Planejamento já havia bastante resistência a Pochmann, inclusive com críticas chamando o indicado de Lula de "terraplanista econômico".
Há preocupações com a atuação do presidente nomeado na gestão do IBGE, sobretudo na transparência dos dados que serão divulgados.
Também há incertezas sobre o comportamento de Pochmann no órgão e se ele divergirá do que é planejado por Tebet e Haddad, que inclusive silenciou a participação do economista durante a campanha à presidência da República de 2018 na formulação da agenda econômica.
Apesar deste quadro, o PT busca se antecipar aos ataques.
O deputado federal Alencar Santana (PT-SP), ligado à vertente mais raiz do partido, afirma que as críticas são descabidas e que Pochmann é "super preparado".
O parlamentar ainda afirma que no PT e no governo de Lula "não há terraplanista".
Já o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), que também defende o nome de Pochmann, afirma que Tebet não terá problemas com o presidente indicado para chefiar o IBGE.
Impasse antigo
O impasse na presidência do IBGE vem desde a formação do governo, dizem aliados do governo.
A equipe do Ministério do Planejamento queria manter no cargo o economista Eduardo Rios Neto, PhD em demografia pela Universidade da Califórnia.
O nome foi levado à Casa Civil, mas vetado por ter feito parte do governo Jair Bolsonaro.
Rios presidiu o IBGE entre 2021 e o início deste ano. Ficou acertado então que Cimar Azeredo, funcionário de carreira, seria mantido até à realização do Censo, que já havia sido postergado e foi feito com poucos recursos.
A equipe do Planejamento elaborou uma lista de sugestões para Tebet, que não levou para a Casa Civil — até que surgiram as especulações sobre o nome de Pochman.
Por seu passado intervencionista e de defesa de teses heterodoxas, a escolha provocou revolta na equipe, mas Tebet esteve com Lula e não discutiu o assunto com seus subordinados.
*Publicado por Gabriel Bosa


