Minerais críticos precisam de segurança e prazo, não subsídios, diz Ilan
Presidente do BID anuncia iniciativa para que América Latina não tenha apenas setor extrativo e possa agregar valor às commodities

Seria bom que a nova indústria de minerais críticos não tivesse subsídio público. A avaliação é Ilan Goldfajn, presidente do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e ex-presidente do Banco Central. Ele sugere que, ao invés de dinheiro dos governos, a indústria nascente tenha segurança jurídica e horizonte de longo prazo.
“Você aumenta a competitividade tendo demanda firme”, explicou Goldfajn. A fala ecoa em um momento sensível para o Brasil, onde o Congresso discute um marco legal para o setor e o uso de renúncias fiscais divide opiniões em Brasília.
“Seria bom tentar o modelo com cadeias seguras que signifiquem contratos de longo prazo, de 20 ou 30 anos, onde há uma demanda firme. Isso permite um investimento nos países que diminuem a necessidade de subsídios”, disse em entrevista no encontro anual do BID em Assunção, no Paraguai.
Goldfajn lembra que o BID, como instituição, “tem uma visão de que o setor público fiscalmente responsável é muito importante”. “O que eu digo é que há uma avenida a explorar com contratos longos. Nós temos uma chance de chegar na competitividade necessária”, disse.
O BID anunciou no evento que os minerais críticos passam a ser uma nova frente de atuação da instituição. O objetivo é financiar projetos que permitam à região superar o modelo puramente extrativista, agregando valor local à cadeia de produção.
O ex-presidente do BC chefia uma instituição que tem países entre sócios. Os Estados Unidos, por exemplo, têm 30% do capital do BID e 30% dos votos para as decisões mais importantes. Outros países – mais distantes politicamente de Washington – como Brasil, Colômbia e México também têm direito a voto no banco.
Questionado sobre como conciliar interesses geopolíticos de nações tão diferentes no tema minerais críticos, Goldfajn avalia que “há um possível alinhamento de interesses”. “Posso dizer que vários países do G7, G20, estão interessados nisso. É um tema que, ao contrário, vejo possibilidade de interesses comuns”.
*A CNN Brasil viajou a convite do BID.


