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Na mira de Trump, madeira representa 40% das exportações do Paraná aos EUA

Entidade relata que algumas empresas do setor já deram férias coletivas a seus colaboradores e podem ter até que fechar portas a partir da aplicação da tarifa

João Nakamura, da CNN, em São Paulo
Indústrias de madeiras perfiladas, molduras e outros insumos da construção civil focam, quase exclusivamente, na exportação aos EUA, chegando a destinar até 97% de sua produção ao mercado norte-americano  • Reprodução/Flickr
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No Paraná, a indústria madeireira é uma das principais exportadoras aos Estados Unidos.

Em 2024, o setor de produtos de madeira paranaense foi responsável por US$ 615 milhões em exportações para os norte-americanos, representando quase 40% das vendas do estado para o país, que totalizaram mais de US$ 1,58 bilhão no ano, segundo levantamento da Fiep (Federação das Indústrias do Paraná), cedido com exclusividade à CNN.

Em meio à ameaça de aplicar uma tarifa de 50% sobre os importados brasileiros e a investigação comercial deflagrada contra o país, os EUA citaram, entre suas preocupações, a madeira brasileira.

O USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) avalia que o Brasil parece não estar conseguindo aplicar efetivamente as leis e regulamentações destinadas a impedir o desmatamento ilegal, o que prejudicaria a competitividade dos produtores norte-americanos de madeira e produtos agrícolas.

À CNN, os empresários do setor de madeira do Paraná afirmam estar se movimentando para coordenar e decidir a melhor rota a seguir a partir de agora.

Edson Vasconcelos, presidente do Sistema Fiep, relata que há indústrias desse setor no estado que, hoje, trabalham quase 100% para o mercado norte-americano. Segundo o empresário, algumas já deram férias coletivas aos seus colaboradores e podem ter até que fechar as portas a partir do dia 1º.

Desse modo, a Fiep alerta que as dificuldades impostas pelas tarifas causarão uma redução significativa na produção das empresas, podendo impactar diretamente os empregos no setor. No Paraná, os madeireiros empregam mais de 38 mil pessoas.

Segundo a Fiep, indústrias de madeiras perfiladas, molduras e outros insumos da construção civil focam, quase exclusivamente, na exportação aos EUA, chegando a destinar até 97% de sua produção ao mercado norte-americano.

Outros segmentos, como o de madeira compensada e serrada, voltam de 40% a 50% de suas produções aos Estados Unidos.

“O empresariado vê a necessidade de se trazer a questão técnica e os aspectos meramente comerciais para a mesa de negociação. O governo procurou e está ouvindo o setor produtivo, que é unânime em pedir que haja parcimônia e cautela na forma de negociação e que a Lei da Reciprocidade não seja usada”, afirma.

“Nós temos que tentar buscar outros mercados, mas o fato é que o mercado norte-americano é o grande comprador do mundo, por isso é necessário deixar de lado qualquer agenda ideológica."

A Fiep reforça a reivindicação do setor privado de que é necessário o governo pleitear o adiamento da aplicação da tarifa, prevista para o dia 1º de agosto.

Vasconcelos explana que, de um lado, muitos exportadores já estão com cargas prontas para envio ou a caminho dos EUA, do outro, alguns estão tendo contratos cancelados por conta da alíquota anunciada por Donald Trump.

“Além disso, a maior parte das empresas que tem os EUA em seu portfólio tem todo o ciclo de insumos e estoque comprometido em cima dessa venda ao mercado norte-americano, um problema que vai se agravar”, acrescenta o presidente do Sistema Fiep.

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