O real foi um projeto de modernização e se tornou um bem público, diz Pérsio Arida

Os "pais" da moeda participaram de um evento em celebração aos 30 anos de seu advento

Pedro Zanatta, da CNN, São Paulo
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O economista, ex-presidente do Banco Central (BC) e um dos "pais" do Plano Real, Pérsio Arida, classificou a moeda, hoje, como um bem público para o Brasil.

"O real hoje se tornou um bem público. O grande lastro do real é, na verdade, a própria democracia. Ela que motivou toda a sequência do planos de estabilização", disse ao fazer um balanço sobre os 30 anos do plano, durante uma palestra na Fundação Fernando Henrique Cardoso, nesta segunda-feira (24).

"Não é à toa que com a chegada dela houve um plano atrás do outro até chegar o real."

Arida defendeu o contexto democrático que possibilitou as inúmeras discussões em torno do plano.

"A democracia, no seu mecanismo de eleições, penaliza os governantes que não resolvem o problema que mais afeta a população, que é a inflação. O motor de estabilização hoje é o próprio funcionamento do sistema democrático", disse.

Além de um dos membros da equipe que desenvolveu o real, o economista também ocupou os cargos de secretário de Planejamento, diretor do BC e presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Ao comentar sobre as discussões, ele relembrou os demais planos que foram pensados anteriormente, como "Collor I", "Collor II" e o "Plano Verão".

Para Arida, o real foi muito mais que um plano de estabilização, mas "um projeto de modernização do país".

Na próxima segunda-feira (1º), o Plano Real completa 30 anos desde sua implementação. Em fevereiro de 1994, os economistas da equipe de FHC criaram uma espécie de dólar virtual, a Unidade Real de Valor (URV). Em julho, este mecanismo se tornou o real — uma nova moeda que nascia sem a doença da hiperinflação.

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