Parlamentares da UE pedem fim de acordo com EUA após ameaça à Groenlândia
Trump prometeu implementar tarifas sobre países que se opõem à anexação do território;

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não tem só ameaçado tomar a Groenlândia, como tarifar países que se opõem à anexação do território. As ameaças tarifárias, no entanto, colocam em questão os acordos comerciais que os EUA firmaram com a Grã-Bretanha em maio e com a União Europeia em julho.
A UE enfrentou neste domingo (18) pedidos para implementar uma série de contramedidas econômicas nunca antes utilizadas, conhecidas como "Instrumento Anticoerção", como parte da resposta do bloco às ameaças de tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump, contra aliados europeus devido à Groenlândia.
No sábado (17), Trump prometeu implementar uma onda de tarifas crescentes sobre os membros da UE, Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Holanda e Finlândia, juntamente com a Grã-Bretanha e a Noruega, até que os EUA sejam autorizados a comprar a Groenlândia, intensificando a disputa sobre o futuro da vasta ilha ártica da Dinamarca.
O Chipre, detentor da presidência rotativa semestral da UE, convocou embaixadores para uma reunião de emergência em Bruxelas neste domingo.
A ameaça de Trump surgiu justamente quando a UE assinava seu maior acordo de livre comércio de todos os tempos, com o bloco sul-americano Mercosul, no Paraguai. Von der Leyen afirmou que o acordo enviava um sinal muito forte para o resto do mundo.
Em postagem nas redes sociais neste domingo, membros do Parlamento Europeu criticaram as novas medidas tarifárias de Trump e solicitam a suspensão do acordo dos EUA com a União Europeia.
“As novas tarifas americanas para vários países são inacreditáveis. Não é assim que se tratam os parceiros. Uma nova linha foi cruzada. Inaceitável. O presidente dos EUA está usando o comércio como instrumento de coerção política. A UE não pode simplesmente voltar a fazer negócios como se nada tivesse acontecido”, afirmou Bernd Lange, membro do Parlamento Europeu.
“Solicito: 1. A suspensão dos trabalhos do Parlamento Europeu sobre a implementação do acordo de Turnberry até que os EUA cessem as suas ameaças. 2. O Instrumento Anticoerção (ACI), concebido precisamente para casos como este, deve ser agora utilizado. Apelo à Comissão Europeia para que o ative imediatamente. (2/3)”, acrescentou Lange.
A assembleia deveria votar a remoção de muitas tarifas de importação da UE nos dias 26 e 27 de janeiro, mas Manfred Weber, líder do Partido Popular Europeu, o maior grupo parlamentar, afirmou em uma publicação no X no final de sábado que a aprovação não seria possível por enquanto.
"Optamos pelo comércio justo em vez de tarifas. Optamos por uma parceria produtiva e de longo prazo em vez do isolamento", disse ela.
Já Roberta Metsola, também membro do Parlamento Europeu, disse que a União Europeia apoia a Dinamarca e o povo da Groenlândia. Além disso, ela afirmou que as “medidas contra os aliados da OTAN anunciadas não contribuirão para garantir a segurança no Ártico.”
“Pelo contrário, elas correm o risco de encorajar nossos inimigos comuns e aqueles que desejam destruir nossa região.”
Resposta da UE
Segundo a Reuters, uma fonte próxima ao presidente francês Emmanuel Macron afirmou que ele está trabalhando para coordenar uma resposta europeia e pressionando pela ativação do Instrumento Anticoerção, que poderia limitar o acesso a licitações públicas no bloco ou restringir o comércio de serviços nos quais os EUA têm superávit com a UE.
Em publicações nas redes sociais no final de sábado, Bernd Lange, o social-democrata alemão que preside a comissão de comércio do Parlamento Europeu, e Valerie Hayer, chefe do grupo centrista Renew Europe, fizeram coro com o seu apelo, tal como a associação alemã de engenheiros no domingo.
No entanto, alguns diplomatas da UE disseram que agora não era o momento de agravar a situação.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, mais próxima de Trump do que alguns outros líderes da UE, descreveu a ameaça de tarifas como "um erro" e disse em uma coletiva de imprensa durante uma viagem à Coreia que havia falado com Trump algumas horas antes e lhe dito o que pensava.
Ela planejava telefonar para outros líderes europeus ainda neste domingo. A Itália não enviou tropas para a Groenlândia.
Posição da Grã-Bretanha
Questionada no domingo sobre como o Reino Unido responderia às novas tarifas, a Secretária de Cultura, Lisa Nandy, disse que os aliados precisavam trabalhar com os Estados Unidos para resolver a disputa.
"Nossa posição sobre a Groenlândia é inegociável... É do nosso interesse coletivo trabalhar juntos e não iniciar uma guerra de palavras", disse ela à Sky News.
*Com informações de Philip Blenkinsop, da Reuters


