Planalto e Tarcísio rivalizam para chefiar negociações sobre tarifas

Governo federal e de SP marcaram reuniões com empresários nesta terça-feira (15)

Danilo Cruz, da CNN, em São Paulo
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O Palácio do Planalto e o governo de São Paulo rivalizam para chefiar as negociações em relação ao tarifaço de Donald Trump. As conversas buscam encontrar caminhos para reduzir os impactos das tarifas em produtos brasileiros.

Nas conversas com Tarcísio de Freitas (Republicanos), devem participar o encarregado de negócios da embaixada dos Estados Unidos em Brasília, Gabriel Escobar, e 15 empresários paulistas. O encontro foi articulado pelo ex-presidente da Fiesp, Paulo Skaf. O governador de São Paulo quer mostrar ações práticas sobre as taxas, depois de se ver diretamente envolvido no episódio.

Já o governo federal criou nesta segunda-feira (14) o Comitê Interministerial de Negociação, que será presidido pelo vice-presidente e ministro do Comércio e Indústria, Geraldo Alckmin.

O comitê conta com Rui Costa, da Casa Civil, Mauro Vieira, do Itamaraty, e Fernando Haddad, da Fazenda, mas deve contar com o apoio de outros ministros, como Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais, e Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação da Presidência.

Eles irão negociar com representantes da indústria e do agro, especialmente os setores do aço, celulose, café e aviação. Os empresários participantes querem apresentar soluções para a negociação entre Brasil e o governo Trump e discutir a situação das empresas com o tarifaço.

Segundo Lula, as reuniões devem continuar ao longo desta semana para que seja traçada uma estratégia conjunta sobre o tema.

Caso as tarifas entrem em vigor, o governo também já prepara uma estratégia de destinos alternativos aos produtos do agronegócio que o Brasil mais exporta aos Estados Unidos. Envolvido nas discussões, o Ministério da Agricultura quer intensificar os trabalhos para abrir novos mercados aos itens brasileiros.

As mercadorias listadas são: café, carne bovina, frutas, suco de laranja e pescados. Para o café, as principais alternativas são China e Austrália; para a carne, México, China e Tailândia. Nos casos de frutas, suco de laranja e pescados, as novas opções seriam Japão, Arábia Saudita e Reino Unido, respectivamente.

Além da agricultura, outro setor que será afetado negativamente pelas tarifas será o aéreo, especialmente a Embraer — que exporta mais de US$ 2 bilhões aos Estados Unidos.

O Ministério de Portos e Aeroportos reforçou o trabalho para minimizar os prejuízos à companhia. Mesmo assim, o banco americano J.P. Morgan apontou que a taxa de Donald Trump seria capaz de fazer as ações da Embraer caírem até 30%.

* com informações de Danilo Moliterno, da CNN Brasil

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