Ponto turístico de SP, Galeria do Rock sofre com a pandemia e fecha lojas

No acumulado dos últimos anos, o número de lojas fechadas no prédio chega a 30, além das cerca de 400 demissões

Anne Barbosa
Compartilhar matéria
https://www.youtube.com/watch?v=puaR9PbFw_g

 

Pelo menos seis lojas da Galeria do Rock, importante ponto turístico da cidade de São Paulo, fecharam as portas definitivamente por causa da crise provocada pela quarentena, segundo o síndico do local, Antônio de Souza Neto, conhecido como Toninho da Galeria. No acumulado dos últimos anos, o número de lojas fechadas no prédio chega a 30, além das cerca de 400 demissões. 

“Sem sombras de dúvidas essa crise já vem de anos. Não só para nós, mas no mercado em geral. Essa crise aconteceu também no Brás, no Pari, José Paulino e no mercado empresarial como um todo”, afirma Antônio.

O tradicional ponto turístico da cidade recebia em média 510 mil pessoas por mês. Agora, com as portas fechadas desde o dia 20 de março, esse número chegou a zero, e as contas começaram a não fechar. “A conta hoje em dia não fecha de jeito nenhum, aluguel para pagar, condomínio, luz. Essas contas não param”, afirma Wellington Cassimiro, dono de uma loja de camisetas. 

Assista e leia também:
Home office: chefes e funcionários relatam problemas, mas a avaliação é positiva
Análise: alivia saber que relaxamento do isolamento aqueceu um pouco a economia
Economia sofrerá com crise, mas haverá muitas oportunidades, diz Paes de Barros

Para tentar movimentar o caixa, muitos comerciantes investiram nas vendas online. Caso do comerciante Dionísio Febraio, o Magrão, dono de uma loja de discos há mais de 30 anos. Para ele, a Galeria do Rock representa muito mais do que apenas um ambiente de trabalho.

“A galeria significa minha sobrevivência e faz parte da minha filosofia de vida, que é o rock ‘n’ roll. Eu vivo do que eu sou, e a galeria me fornece isso”, disse. 

Os comerciantes reclamam da dificuldade de acesso aos créditos prometidos pelas instituições financeiras. “O microempresário não encontra crédito, os bancos precisam se aproximar mais dele, entender mais e oferecer mais esses serviços”, afirma Nissim de Melo, dono da uma loja de serigrafia. 

Sobre a galeria

Foi na década de 1950 que Maria Bardelli, Ermanno Siffredi e Beijamin Citron se uniram para criar o projeto que ofereceria espaços comerciais para o centro de São Paulo. A inauguração foi realizada em 1963, e o prédio se chamava Centro Comercial Grandes Galerias. 

Caracterizado pela diversidade cultural, o espaço ficou conhecido como Galeria do Rock graças às muitas lojas de discos que foram surgindo no local, na qual as vendas se tornaram soberanas entre os produtos. Hoje, o espaço abriga lojas dos mais diversos estilos e recebe turistas de todas as partes do mundo.

Acompanhe Economia nas Redes Sociais