Programa para endividados deve sair esta semana, diz Durigan
Ministro da Fazenda comentou que reunião com bancos foi positiva e medidas devem ser repassadas com presidente Lula nesta terça (28)
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta segunda-feira (27) que as medidas do governo para conter o endividamento das pessoas físicas devem ser anunciadas ainda esta semana.
Durigan ressaltou que volta a Brasília nesta terça-feira (28), para alinhar considerações finais e o anúncio com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"Vamos fazer um 'chamado a ação' a partir do anúncio do presidente para que as pessoas possam procurar seus bancos", indicou o ministro da Fazenda, que espera descontos de até 90% nas dívidas e impacto sobre dezenas de milhões de brasileiros.
O ministro evitou dar maiores detalhes, para preservar o anúncio do presidente da República, mas sinalizou que o governo está trabalhando com a ideia de o programa rodar por "alguns meses".
O Executivo vinha manifestando preocupação com a saúde financeira do brasileiro. Nos últimos meses, dados relacionados a dívidas e inadimplência vêm renovando recordes.
Mais cedo, o BC (Banco Central) divulgou que o endividamento das famílias subiu para 49,9% em fevereiro, alcançando o maior patamar da série histórica.
A apresentação das medidas ao público ocorreu após reunião da equipe econômica do governo junto de fintechs e bancos na manhã desta segunda. Estiveram presentes representantes da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander e BTG Pactual, além do presidente-executivo da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Isaac Sidney.
Segundo Durigan, todos os pontos do programa foram repassados com os bancos, que também puderam compartilhar seus pontos de vista.
"Chegamos a um bom consenso técnico a todos os pontos e vou voltar para Brasília amanhã para que o anúncio seja feito, possivelmente, ainda esta semana pelo presidente [Lula]", disse o chefe da equipe econômica.
Perspectivas sobre juros
O ministro da Fazenda ressaltou que o programa vem num momento em que a taxa básica de juros do país, a Selic, está elevada.
"Na perspectiva de ter reduções e cortes da taxa oficial, é importante que as famílias também se aproveitem de uma redução de taxa de juros. Ao participar do programa com contrapartidas dos bancos, o que a gente está exigindo é que haja uma taxa de juros muito menor", pontuou Durigan, destacando como elevadas as taxas cobradas em modalidades como cartão de crédito e cheque especial.
A taxa de juros do cartão de crédito rotativo caiu em março, mas segue acima dos 400% ao ano, segundo dados do BC.
Até a metade final de março, a taxa básica Selic estava no maior patamar em duas décadas. Mesmo com o corte de 0,25 ponto percentual, a política monetária do BC segue restritiva, com os juros do país em 14,75% ao ano.
FGTS
Durigan confirmou também que o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) vai poder ser utilizado para abater dívidas no novo programa do governo para conter o endividamento.
Questionado sobre limitações ao uso dos recursos do FGTS, o ministro ressaltou que "a limitação que vai ter para a garantia do próprio fundo é um percentual do saque".


