Proibição de apostas diminuirá endividamento, diz Ceron à CNN

Desenrola 2.0 bloqueia acesso de beneficiários a plataformas de bets por um ano

Vitória Queiroz, da CNN Brasil, Brasília
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O aumento do endividamento das famílias desde a primeira versão do programa Desenrola está relacionado às apostas em bets e ao aumento da bancarização no Brasil, disse o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, em entrevista à CNN Brasil.

O governo lançou na última segunda-feira (4) a nova versão do programa, a qual estabelece um bloqueio do CPF em plataformas de apostas das pessoas que se beneficiarem da iniciativa do governo federal por um ano.

 

“As apostas tiveram um papel para crescer o endividamento no período recente. Ter atuação conjunta com a proibição no uso dessas plataformas vai ajudar que eles não se endividem novamente, que eles comprometam sua renda para fazer apostas e, em casos mais extremos, fazer operações de crédito para fazer apostas”, disse Ceron.

O secretário também avalia que o nível de endividamento das famílias deve cair com a contrapartida assumida pelas instituições financeiras de investir na educação financeira.

Os bancos que aderiram ao programa precisam destinar o equivalente a 1% do valor garantido pelo FGO (Fundo de Garantia de Operações) nas operações de renegociação do programa a projetos pactuados com o governo com esta finalidade.

“É algo que leva tempo, mas precisa ser feito para que as pessoas possam fazer escolhas conscientes”, declarou Ceron.

Endividamento recorde

A decisão do governo de estimular a renegociação de dívidas, ocorre em um momento em de juros elevados e de alto endividamento. A gestão do programa também se dá em um momento em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai tentar a reeleição.

De acordo com o Banco Central, houve um novo aumento no indicador de endividamento das famílias, que em fevereiro chegou a 49,9%. Esse é o maior patamar da série histórica, iniciada em em 2005, dado que mostra a relação entre o saldo das dívidas e a renda acumulada em 12 meses.

Ainda segundo a autoridade monetária, o comprometimento da renda das famílias com o serviço da dívida também bateu recorde, chegando a 29,7% em fevereiro.

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