Projeto de Trump agrada big techs, mas preocupa estados, diz especialista
Especialista comenta sobre implicações do megaprojeto tributário do presidente dos EUA, que inclui pausa de dez anos na legislação estadual sobre IA
O megaprojeto tributário proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem gerado debates intensos, especialmente no que diz respeito ao setor de tecnologia.
Uma das medidas mais polêmicas é a pausa de dez anos na legislação estadual sobre IA (inteligência artificial), que tem agradado as grandes empresas de tecnologia, mas causado preocupação entre os estados.
Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação, explica que o projeto não é apenas um pacote econômico, mas inclui pontos controversos relacionados à IA.
A proposta de suspender por uma década as legislações estaduais tem sido bem recebida pelas big techs, que argumentam ser importante ter menos interferência estatal nesta fase inicial da tecnologia.
No entanto, os estados norte-americanos estão preocupados com a possível perda de autonomia.
Atualmente, existem quase 200 leis estaduais relacionadas à IA, e a suspensão dessas leis tem gerado debates acalorados.
Igreja destaca que alianças incomuns estão sendo formadas entre legisladores republicanos e democratas, unidos pela preocupação com a autonomia de seus estados.
Impacto no setor automotivo e tecnológico
O projeto também afeta o setor de carros elétricos, com a retirada de incentivos para veículos elétricos e híbridos.
Esta mudança impacta diretamente as montadoras que apostam na tecnologia, embora o mercado tenha mostrado sinais de maturidade, com vendas crescentes em algumas regiões dos EUA mesmo sem os incentivos.
Além disso, o especialista aborda as implicações das tarifas de importação propostas por Trump. No curto prazo, muitas empresas aumentaram seus estoques para minimizar o impacto imediato das tarifas.
No entanto, o cenário ainda é dinâmico, com negociações em andamento e empresas buscando rotas alternativas para suas cadeias de suprimentos.
Igreja conclui alertando sobre os possíveis efeitos da nacionalização da produção nos preços ao consumidor.
Ele cita o exemplo do iPhone, sugerindo que seu preço poderia dobrar se fosse fabricado inteiramente nos EUA, um aumento que dificilmente seria absorvido pelos consumidores sem consequências políticas significativas.
Publicado por João Nakamura, da CNN, em São Paulo


