Quarentena faz movimento do comércio cair 5,1% em março, diz Boa Vista

Thais Herédia, da CNN
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Já era esperado, mas ainda assim o número assusta. O Indicador de Movimento do Comércio da Boa Vista, que acompanha as vendas em todo país, registrou queda acentuada em março de 5,1% na comparação com fevereiro. Um alarme já havia sido acionando com o dado da última semana do mês passado, um tombo de 25,5%, segundo a empresa de análise de dados de crédito. 

A quarentena decretada em boa parte do país, para evitar o avanço da contaminação do novo coronavírus, provocou uma paralisia da atividade econômica. As atividades essenciais foram mantidas, como supermercados e farmácias, mas elas não têm força para garantir as vendas no comércio. 

“Se não fosse pelo desempenho dos supermercados, o retrato seria ainda pior. O setor foi o único a ficar estável no mês passado, os demais caíram bastante. Este resultado reflete apenas a metade do mês, quando começou a quarentena na maioria dos estados. O cheiro que estamos vendo de abril não é bom, o tombo pode ter passado de 10%, mas esta é apenas uma leitura das duas primeiras semanas do mês”, disse Flávio Calife, economista da Boa Vista. 

O peso dos supermercados no Indicador da Boa Vista é alto, acima de 40%. Ele foi capaz de segurar um baque maior no varejo nacional, como o que aconteceu no setor de móveis e eletroeletrônicos, que recuou 13,5% em março. Confira os dados na tabela abaixo.

Depois dele, outros artigos de varejo tiveram queda de 7% e combustíveis e lubrificantes perderam 6,7%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, apenas dois setores mantiveram desempenho positivo: roupas e calçados, além o de supermercados (que também inclui alimentos e bebidas), com alta de 6,2% e 0,6%, respectivamente. 
  
Móveis e eletrodomésticos são bens duráveis que demandam um crédito de mais longo prazo. Era esperado que houvesse uma queda forte assim. Não só por causa do fechamento das lojas, mas porque as pessoas têm receio de se endividar. Depois do medo de ser contaminado, o desemprego é o maior fantasma que assombra os consumidores. E não é de agora. A pandemia só faz aumentar a incerteza com o futuro. 

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