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Relator atende governo e tira da meta fiscal R$ 10 bi das estatais em 2026

Alteração foi a pedido da equipe econômica, que teme um impacto fiscal maior nas contas públicas do ano que vem por conta da situação dos Correios

Cristiane Noberto, da CNN Brasil
Cédulas de real: R$ 100 e R$ 50
Alteração foi a pedido da equipe econômica, que teme um impacto fiscal maior nas contas públicas do ano que vem por conta da situação dos Correios  • Foto: IKZMiranda/Pixabay
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O relator do PLDO (Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2026, Gervásio Maia (PSB-PB), incluiu um adendo em seu parecer para tirar da meta fiscal R$ 10 bilhões das estatais em 2026.

Na hora da votação no plenário do Congresso, Maia protocolou o trecho que inclui “despesas do Programa de Dispêndios Globais destinadas a empresas que possuam plano de reequilíbrio econômico-financeiro aprovado e vigente, até o limite de R$ 10 bilhões”

A alteração foi feita a pedido da equipe econômica, que teme um impacto fiscal maior nas contas públicas do ano que vem por conta da situação dos Correios.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que a mudança é uma forma de “prevenção” no orçamento.

“É preventivo, se precisar usar, mas precisa ter a previsão, porque senão você não consegue fazer”, disse à jornalistas nesta quinta-feira (4).

Ele indicou que o Tesouro avalia alternativas para o caso de ser necessário um aporte adicional, mas evitou cravar o formato.

“Pode haver. O Tesouro está estudando. Nós vamos considerar todas as variáveis para tomar decisão. Tem uma equipe do Tesouro [trabalhando] só nisso”, continuou, mas esclareceu que somente haverá ajuda caso haja um plano aprovado.

Pelo projeto enviado pelo governo no começo do ano, a meta era de um déficit de até R$ 6,7 bilhões — sem contar os R$ 5 bilhões de investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

O movimento funciona como uma espécie de válvula de escape para o governo, já que o rombo operacional e a necessidade de capitalização dos Correios vêm pressionando a área econômica — especialmente para o ano que vem.

A retirada dessa parcela do cálculo da meta permite que eventuais aportes não distorçam o resultado fiscal de 2026, preservando o espaço dentro do Orçamento.

Nesta semana, o Tesouro Nacional negou o pedido de empréstimo bilionário solicitado pelos Correios, que buscavam cerca de R$ 20 bilhões para reforçar o caixa.

A operação, fechada inicialmente por Banco do Brasil, Citibank, BTG Pactual, Safra e ABC Brasil, previa juros de 136% do CDI — acima do que o governo está disposto a aceitar.

O Tesouro sinalizou aval apenas com taxa menor, perto de 120% do CDI, o que levou a estatal a ter de renegociar a proposta com o consórcio de bancos.

O crédito é tratado internamente como "tábua de salvação" para uma empresa que acumula R$ 6 bilhões de prejuízo até setembro.

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