Sem considerar privatização, Massa quer "apequenar" estatais na Argentina
Candidato governista, atual ministro da Economia fala em unir empresas estatais
Sergio Massa diz que fará diferente se for presidente da Argentina. Após mais de um ano à frente do Ministério da Economia, o advogado de 51 anos promete acabar com a inflação com a retomada da economia, especialmente as exportações.
A dúvida que fica é por que o super ministro econômico de Alberto Fernández não fez tudo isso no atual governo?
O ministro promete estabilizar e reduzir a inflação a partir de 2024. Sem muitos detalhes, diz que planeja “apequenar” os gastos públicos e racionalizar o funcionamento da máquina pública. Sugere, por exemplo, unir empresas estatais. Não fala em privatizar.
Massa bate na tecla de que o crescimento da economia vai ajudar a reduzir a inflação. Na literatura econômica, não há relação direta comprovada entre crescimento e redução da inflação. Normalmente, acontece o contrário. Quando países em dificuldades começam a crescer rapidamente, os gargalos aparecem e os preços normalmente sobem.
O candidato governista também defende que a inflação cairá com o aumento das exportações. É verdade que a Argentina sofreu, em 2023, os efeitos de uma seca drástica no campo. Isso derrubou os embarques de produtos agrícolas.
Em 2024, os produtores argentinos esperam uma safra melhor. Mas o plano de Massa vai além das exportações do campo e da safra do próximo ano. Nessas situações, economistas sempre lembram que governos que querem exportar podem esbarrar em uma dificuldade: será que o potencial cliente quer comprar?
Diante de um mundo com juros altos, risco de recessão nos Estados Unidos e problemas na China, depender muito do comércio exterior pode ser arriscado.
No segundo turno, o candidato governista acenou à centro-direita, que acabou apoiando Javier Milei. Uma das promessas é indicar nomes da oposição para a diretoria do Banco Central.
A ideia é boa, mas vai ter pouco efeito se, em caso de vitória, Massa não atacar efetivamente o problema crônico da economia argentina: o rombo das contas públicas. Para isso, ele deu poucos detalhes.


