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Sem petróleo da Margem Equatorial, produção brasileira cai a partir de 2031

Empresa de Pesquisa Energética prevê inversão de sinal, na virada da década, se não houver novas frentes exploratórias; Brasil pode importar óleo até 2035, avalia Shell

Daniel Rittner, da CNN Brasil, em Brasília
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Sem novas frentes exploratórias, a produção de petróleo no Brasil começará a entrar em declínio a partir de 2031, com o esgotamento gradual das reservas na camada do pré-sal.

De acordo com o Plano Decenal de Energia, atualizado todos os anos pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética), o auge da produção ocorrerá na virada da década.

Em 2030, segundo a EPE, serão extraídos 5,3 milhões de barris por dia -- sendo quase dois terços do pré-sal.

A partir de 2031, porém, a produção inverteria o sinal e cairia para 5,1 milhões de barris por dia. Em 2034, último ano das estimativas apresentadas no plano, o volume diminuiria para 4,4 milhões.

Por isso, o governo brasileiro joga todas as fichas na abertura da Margem Equatorial como grande frente de exploração para os próximos anos.

Se isso não ocorrer, o Brasil poderia voltar a ser importador líquido de petróleo até 2035, disse recentemente o CEO da Shell, Cristiano Pinto da Costa.

"É um cenário que me preocupa", afirmou o presidente da multinacional britânica no país, alertando que as bacias de Santos e de Campos já dão sinais de exaustão.

Segundo o executivo, na década de 2000, o Brasil chegou a perfurar mais de 150 poços por ano. Em 2024, foram apenas seis novas perfurações.

"Se não revertermos esse declínio, a tendência é de esgotamento", comentou Costa em junho.

No ano passado, um documento interno do MME (Ministério de Minas e Energia) mostrou que, sem investimentos na Margem Equatorial e em outras frentes exploratórias, a produção brasileira de petróleo cairá de forma acelerada ao longo das próximas décadas.

Nas projeções do MME, a produção cairia para 2,5 milhões de barris/dia em 2040 e para 1,4 milhão de barris/dia em 2045. Em 2050, seriam 800 mil barris. Em 2055, apenas 500 mil.

As estimativas da Secretaria Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do MME -- responsável pela previsão -- são de que haveria uma perda de R$ 3 trilhões em royalties e participações especiais ao longo de três décadas.

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