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Setor pede trâmite regular de projeto que regula concorrência de big techs

Proposta do governo trata da regulação econômica e concorrencial das grandes empresas de tecnologia

Vitória Queiroz, da CNN Brasil, Brasília
Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em Brasília
Projeto de Lei cria dois processos administrativos no âmbito do Conselho Administrativo de Defesa Econômica  • 07/08/2017 REUTERS/Adriano Machado
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A Câmara Brasileira da Economia Digital pediu aos deputados e aos senadores que sigam o trâmite regular durante a apreciação do projeto do governo que trata da regulação econômica e concorrencial de grandes empresas de tecnologia. Na avaliação da entidade, uma tramitação adequada vai garantir a "boa" regulação do setor.

A entidade defendeu que o projeto seja analisado pelas comissões competentes, com ampla participação da sociedade civil. O texto está na Câmara dos Deputados.

A Câmara Brasileira da Economia Digital avalia que a tramitação acelerada do projeto, com designação direta de relatoria em plenário, reduz o espaço para análise aprofundada e transparente. O deputado Aliel Machado (PV-PR) foi designado para relatar o texto.

"Políticas públicas bem construídas se baseiam em diagnósticos claros, dados transparentes e debate técnico estruturado, conduzidos em instâncias adequadas de deliberação", diz a Câmara Brasileira da Economia Digital.

Em posicionamento enviado à CNN, a Câmara Brasileira da Economia Digital afirmou que a proposta exige debate técnico e público “consistente”.

"O trâmite regular no Legislativo é justamente o instrumento que permite amadurecer propostas, identificar riscos e calibrar soluções regulatórias", diz a entidade em nota.

De acordo com a Câmara Brasileira da Economia Digital, o debate técnico se torna ainda mais necessário diante da "ausência de estudos públicos e de análise de impacto regulatório que avaliem as consequências jurídicas, econômicas e concorrenciais do projeto".

Quando a proposta foi enviada ao Congresso Nacional, o governo informou que o projeto foi elaborado pela Secretaria de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda junto a um grupo técnico coordenado pela Casa Civil, a partir de estudos realizados ao longo de dois anos.

A proposta considera experiências de outros países e diagnósticos de organismos internacionais, como a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

O projeto do governo propõe ajustes no Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência, de modo que sejam inseridos novos instrumentos pró-competitividade direcionados a plataformas consideradas “sistemicamente relevantes”. O texto possibilita a criação de novos mecanismos para impedir o abuso de poder econômico por grandes plataformas digitais.

De acordo com a equipe econômica, a proposta busca prevenir práticas que prejudiquem a livre concorrência e garantir mais transparência, equilíbrio e liberdade de escolha, além de menores preços, a consumidores e empresas.

Os estudos da Secretaria de Reformas Econômicas foram aprofundados a partir de uma tomada de subsídios, realizada no primeiro semestre de 2024. Na ocasião, a equipe recebeu mais de 300 contribuições de 72 participantes de oito países, além do Brasil. A proposta também levou em consideração contribuições técnicas enviadas pelo Cade.

Entenda

O Projeto de Lei cria dois processos administrativos no âmbito do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica):

  • designação de plataformas de relevância sistêmica para mercados digitais;
  • determinação de obrigações especiais para as plataformas designadas.

Se o projeto for aprovado, o Cade deverá fazer essa designação a partir de características qualitativas, além de observar um piso mínimo de faturamento —acima de R$ 5 bilhões anuais no Brasil e R$ 50 bilhões em termos globais.

A designação será feita caso a caso, mediante instauração de processo administrativo e sujeita à aprovação do Tribunal do Cade.

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