Setor vê revogação de concessão de hidrovias com preocupação, diz MoveInfra

Decisão do governo federal de cancelar estudos para concessão de hidrovias na Amazônia é criticada por representantes do setor, que destacam benefícios ambientais e logísticos do modal

Da CNN Brasil
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O setor de infraestrutura manifestou preocupação com a recente decisão do governo federal de revogar o decreto que autorizava estudos técnicos para a concessão de três hidrovias da Amazônia.

A medida foi tomada em meio à pressão de grupos indígenas e ambientalistas, gerando reações negativas de entidades como a ATP (Associação de Terminais Portuários).

Ronei Glanzmann, CEO da MoveInfra, expressou em entrevista ao CNN Money que o setor vê com apreensão o recuo do governo.

"Nós estamos muito preocupados com a maneira como foi conduzida essa crise. É natural que existam discussões quando se implementa pela primeira vez uma concessão de um modal novo como o hidroviário, que pouca gente conhece", afirmou.

Importância do modal hidroviário para o Brasil

Glanzmann destacou que o Brasil possui rios caudalosos e de longo curso que poderiam escoar a produção nacional com eficiência e sustentabilidade, mas que atualmente o país é extremamente dependente do transporte rodoviário.

"O Brasil hoje é um país rodoviarista. Nossas commodities como soja, algodão, milho e minerais se valem principalmente dos caminhões para trafegar pelo país rumo aos portos, quando poderiam utilizar um modal menos poluente", explicou.

Segundo o executivo, os caminhões representam mais de 95% das emissões de poluentes no setor de transporte brasileiro. A transformação dessa matriz, com maior participação de ferrovias e hidrovias, seria fundamental para um desenvolvimento mais sustentável.

"Um comboio de barcaças hidroviárias tem capacidade de tirar 1.700 caminhões das rodovias, reduzindo emissões de gases de efeito estufa e ajudando a descarbonizar o setor", ressaltou.

Esclarecimentos sobre o modelo de concessão

O CEO da MoveInfra fez questão de esclarecer que o programa de concessões não prevê a privatização dos rios, mas sim a concessão de serviços hidroviários.

"Não está se falando de conceder o rio navegado ou o ativo nacional, que é patrimônio da população brasileira. O que se pretende conceder são serviços como sinalização, desassoreamento, limpeza, controle de tráfego e gestão da navegabilidade", esclareceu.

Glanzmann explicou que, diferentemente dos Estados Unidos, que possuem a hidrovia do Mississippi, ou da Europa, com o Rio Reno, o Brasil não possui hidrovias tecnicamente falando, apenas rios navegados sem infraestrutura adequada.

O executivo afirma que o programa de concessão visaria justamente organizar a presença do Estado nessa atividade, garantindo navegabilidade durante todo o ano.

Impactos ambientais e sociais

Sobre as preocupações ambientais levantadas por grupos contrários às concessões, Glanzmann argumentou que o modal hidroviário está alinhado com boas práticas ambientais e que a questão ambiental é meticulosamente avaliada no processo de concessão.

"Não há o que se falar em poluição dos rios, porque todo esse carregamento e descarregamento é feito com muito cuidado e atende todas as boas práticas internacionais", defendeu.

O executivo também destacou que o processo de concessão prevê a oitiva das populações ribeirinhas e povos indígenas, e que existem soluções operacionais, regulatórias e de política pública para atender às suas demandas.

"O que o Brasil não pode fazer é parar esse programa tão importante para o desenvolvimento do país", concluiu.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.
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