Shell vê "oportunidade enorme" para Brasil com guerra no Oriente Médio

O CEO da companhia disse que o país já vem sendo visto "há muito tempo" como uma fonte segura de suprimentos para petróleo do mundo

Por Marta Nogueira e Fabio Teixeira, da Reuters
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O Brasil tem uma "oportunidade enorme" de atrair ​mais investimentos para o setor de petróleo diante ​da escalada de tensões e conflitos no Oriente Médio, por estar fora da rota dos confrontos, afirmou o presidente da Shell no Brasil, Cristiano Pinto, nesta terça-feira (3).

Segundo o executivo, o Brasil já vem sendo visto "há muito tempo" como uma fonte segura de suprimentos para petróleo do mundo.

"Então, é natural que, eventualmente, clientes busquem o Brasil como ⁠uma opção de suprimento", afirmou, ​em café da manhã com jornalistas.

"Se o país mantiver uma estabilidade regulatória, ​competitividade fiscal e celeridade no licenciamento, eu acredito que o Brasil tenha uma ⁠oportunidade enorme de atrair proporcionalmente mais investimento ⁠no setor, dadas as questões geopolíticas acontecendo no mundo."

Pinto ponderou que ​o ‌Brasil tem atualmente uma capacidade limitada de elevar a produção de forma mais acelerada, ⁠mas que isso poderia se materializar no médio e longo prazo.

O executivo também disse que não houve impacto da guerra nas cargas da Shell Brasil e ressaltou que os principais ‌mercados ⁠do petróleo brasileiro ‌são China e Europa, portanto, fora da rota do conflito. Em contrapartida, ele citou que as empresas com atuação no Brasil poderão sentir um aumento de preços com ⁠transporte, uma vez que "o custo de frete ⁠subiu substancialmente".

Investimentos no Brasil

Pinto pontuou que a Shell sempre foi um ator muito presente em todas as rodadas ‌de licitação do Brasil e que saiu de um patamar de cerca de 10 a 15 blocos exploratórios em 2021, para 50 blocos atualmente.

Ele destacou que parte da estratégia foi se posicionar na região ao Sul da Bacia de Santos, ‌onde a companhia tem hoje 15 blocos como operadora e está realizando sísmicas e irá estudar a realização de um poço exploratório nos próximos 12 a 24 ⁠meses.

Em 2025, a Shell somou investimentos recordes no Brasil de R$ 12,5 bilhões, contra aportes historicamente que variam entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão.

Os investimentos foram impulsionados por iniciativas no ​campo de Tupi, operado pela Petrobras na Bacia de Santos, além de um novo "tieback" ​do projeto Lapa Southwest com a TotalEnergies, que deve entrar em produção em breve.

Outro projeto importante que demandou investimentos no ano passado foi a decisão de investimentos do projeto Orca, antigo Gato do Mato.

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