Tarifaço: Indústria espera queda da exportação pela 1ª vez em 21 meses

Divulgados pela CNI nesta quarta (20), dados da Sondagem Industrial apontam para pessimismo do setor com tarifas dos EUA

André Vasconcelos, colaboração para a CNN Brasil, São Paulo
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O setor industrial brasileiro prevê uma queda nas exportações pela primeira vez em 21 meses, segundo dados da Sondagem Industrial, divulgada nesta quarta-feira (20) pela CNI (Confederação Nacional das Indústrias).

O índice que mede a expectativa do setor para as vendas ao exterior nos próximos seis meses teve redução de 5,1 pontos em agosto, caindo para 46,6. Abaixo do divisor de 50 pontos, o indicador demonstra que os empresários esperam uma queda nas exportações, algo que não acontecia desde novembro de 2023.

Com as novas tarifas de 50% aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, pouco mais da metade da pauta exportadora do país está sujeita à taxação, o que impactou na percepção da indústria.

Segundo levantamento da CNI, a exportação de bens industriais alcançou US$ 17,5 bilhões em 2024.

Isabella Bianchi, analista de Políticas e Indústria da CNI, ressalta a desconfiança com o comércio com os norte-americanos.

"A piora das expectativas de exportações da indústria estão muito relacionadas às incertezas do cenário externo, principalmente em função da nova política comercial americana", comenta.

O índice que mede a evolução do número de empregados atingiu os 49,3 pontos, demonstrando nova queda nos postos de trabalho entre junho e julho. A expectativa também está nos 49,3 pontos, o que indica que os empresários não veem um aumento nos empregos nos próximos seis meses.

Apesar disso, a produção industrial cresceu no último mês, com o índice de produção fechando nos 52,6 pontos, demonstrando expansão.

Os empresários também estão menos confiantes para investir, com o índice de intenção de investimentos recuando 1,6 ponto, para 54,6 pontos. O valor é o menor desde outubro de 2023.

A expectativa de demanda caiu 2,3 pontos, para 53,1. O indicador segue acima da linha dos 50 pontos, demonstrando que o setor ainda espera crescimento no mês de agosto.

O índice de compra de insumos e matérias primas foi mais um a ter queda, de 1,6 ponto, mas se manteve nos 52,1 pontos. Com isso, os empresários devem seguir comprando mais do que no mês de julho.

Para a Sondagem Industrial, a CNI consultou 1.500 empresas de diferentes portes entre os dias 1º e 12 de agosto.

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