Vendas no comércio têm pior desempenho em duas décadas, aponta Serasa

Marcelo Sakate,
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O comércio brasileiro registrou em abril o pior resultado em duas décadas. As vendas das lojas caíram 31,8% na comparação com o mesmo mês de 2019, segundo o Indicador da Atividade do Comércio da Serasa Experian. Os dados, passados com exclusividade ao CNN Brasil Business, refletem o agravamento da crise provocada pela pandemia do coronavírus.

Foi a maior queda desde que o indicador começou a ser calculado, em 2001. O pior resultado até então havia sido registrado em janeiro de 2002, quando recuou 16,5%. O índice da Serasa Experian é calculado a partir de consultas com cerca de 6 mil estabelecimentos comercias.

Abril foi o primeiro mês "cheio" em que as medidas para conter o avanço do coronavírus, como o fechamento de lojas, estiveram em vigor. Em março, quando o comércio passou a ser impactado apenas na segunda quinzena, a queda das vendas havia sido de 13,7%.

O resultado reforça o consenso de analistas por ocasião da divulgação da retração de 1,5% do PIB do primeiro trimestre, na última sexta: o pior momento da economia brasileira está reservado para o período de abril a junho.

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"A internet e os serviços de entrega são uma solução criativa, mas ainda insuficientes para reverter prejuízos, pois não funcionam para qualquer tipo de negócio", diz Luiz Rabi, economista da Serasa Experian, em referência à alternativa adotada por muitos empresários.

Na comparação com março, as vendas do comércio também recuaram na casa de dois dígitos: -19,4%.  

Segundo o economista, as lojas fechadas e as restrições à circulação de pessoas não são os únicos fatores a explicar o resultado tão negativo. "Neste momento de instabilidade em que muitos ficam inseguros em seus empregos, o brasileiro se retrai para o consumo não essencial", afirma.

Esse comportamento de cautela explica os segmentos do varejo que mais se retraíram. Foi o caso de móveis, eletrodomésticos, eletroeletrônicos e informática (-39,9%), produtos de maior valor cujas vendas dependem de endividamento para a maior parte da população. A seguir ficou o ramo de tecidos, vestuário, calçados e acessórios, com uma retração de 39,6%.

Supermercados, hipermercados, alimentos e bebidas, que formam um segmento que havia mostrado bom desempenho no início da crise, também caíram fortemente em abril: -24,3%. O dado sugere que a fase da corrida de consumidores aos supermercados para encher a casa com medo da duração da quarentena ficou para trás. E indica que a crise chegou para todo o comércio. 

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