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    Mercado teme pressão política com possível indicação de Guido Mantega para Vale, diz Adriano Pires

    Para especialista, governo possui mecanismos para pressionar conselho de administração a favor da decisão

    Da CNN

    São Paulo

    O comentarista de energia da CNN, Adriano Pires, disse que uma possível indicação de Lula para que o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega assuma como presidente da Vale seria vista como negativa pelo mercado.

    “O mercado vai reclamar muito. Não vai ser bom pra Vale. Porque é uma indicação política para uma ‘corporation’, onde você tem uma série de empresas privadas que são sócias da Vale”, afirma.

    Pires comparou a desaprovação de Mantega com as críticas à confirmação de Marcio Pochmann para a presidência do IBGE.

    No entanto, ele destaca que a movimentação é como uma forma de Lula “resgatar” pessoas que trabalharam no governo petista no passado.

    “Não é a primeira vez que o PT faz isso. Lá atrás, no governo Dilma, o Roger Agnelli era presidente da Vale, e o governo pressionou, pressionou, até que tirou ele”, disse.

    Além disso, segundo Pires, o mercado não tem boas recordações da gestão de Mantega como ministro da Fazenda.

    “Eu acho que isso daí é retrocesso […] Quando você traz um erro do passado para o presente, esse erro sempre volta pior. E ao voltar pior, quando você quiser corrigi-lo, vai demorar mais tempo”, afirma.

    O comentarista afirmou ainda que uma eventual confirmação do nome de Mantega para a Vale pode impedir que o Brasil consiga atingir um grau de investimento por parte da agência de classificação Fitch.

    “Isso pode fazer com que a nossa nota volte para trás”, avalia.

    “Não vai ser nada saudável, nem pro mercado, nem pra companhia e nem para o Brasil”, afirma.

    Para Pires, o governo possui instrumentos para pressionar os sócios a aceitarem a indicação de Mantega, mesmo não sendo o controlador principal da Vale.

    “A Previ é um fundo pensão governo que é um dos maiores acionistas da vale. Via Previ, você pode ‘emparedar’ as outras empresas privadas a ceder para o governo a presidência da Vale”, diz. Pires destaca que o governo brasileira tem muita ingerência na economia.

    “Brigar com ele [governo] não é uma coisa saudável. Então você acaba cedendo para não ter uma briga que possa prejudicar sua empresa em outros negócios”, avalia.

    O especialista cita também o caso da Eletrobrás, que tem sido alvo de um processo que questiona a privatização da companhia pela Advocacia-Geral da União (AGU) no Supremo Tribunal Federal (STF).

    “Isso tudo mostra que o governo do PT quer novamente controlar as principais empresas do Brasil, que é a Petrobras, que ele já tem controle; a Vale, que ele tem controle indireto, mas tem mecanismos dentro do conselho administrativo para pressionar os sócios do setor privado; e a própria tentativa de reverter a privatização da Eletrobras”, analisa Pires.

    Para ele, indicação de Mantega criaria insegurança jurídica e regulatória. “Mas o Lula, a gente já sabe: quando ele cisma com um assunto, vai ate as ultimas consequências”, adiciona.

    O comentarista finaliza relembrando que a Vale é uma empresa privada. “Foi privatizada há muito tempo, é uma corporação. Isso vai pegar muito mal. Se você trocasse o atual presidente da companhia por outro do mesmo porte, seria menos traumático, mas colocar o Mantega é demais”.

    Publicado por Amanda Sampaio, da CNN.